Ameaças contra estudantes e ação da reitoria
Estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF), localizada em Niterói, vêm relatando ameaças de integrantes ligados à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Essas ameaças incluem promessas de violência física contra os alunos e danos às instalações da universidade. Em resposta, o reitor em exercício, Fábio Passos, comunicou oficialmente os fatos à Polícia Federal e reforçou a segurança em todos os campi da UFF.
Os episódios de hostilidade começaram após manifestações públicas realizadas por estudantes em apoio ao presidente Lula (PT), rival político de Flávio Bolsonaro. As manifestações aconteceram nas ruas de Niterói, demonstrando o posicionamento político dos alunos durante o período eleitoral.
Detalhes das ameaças e resposta institucional
Mensagens obtidas por O GLOBO-Niterói indicam que integrantes de um grupo chamado Juntos por Bolsonaro organizaram ameaças explícitas contra os estudantes, incluindo uma lista que menciona “incendiar a UFF de madrugada”. O reitor Fábio Passos pediu calma à comunidade acadêmica e informou que acionou, além da Polícia Federal, a Prefeitura de Niterói e as polícias Militar e Civil para colaborar na segurança do campus.
“Nossos estudantes exercem o direito constitucional de se manifestar pacificamente. No entanto, temos recebido relatos de ameaças contra a integridade física dos alunos e danos à universidade”, afirmou Passos. Ele destacou que todas as medidas necessárias foram tomadas para garantir a segurança e a defesa da democracia dentro da instituição.
Contexto das manifestações e repercussão
Na noite de segunda-feira, logo após o primeiro turno das eleições, centenas de estudantes saíram às ruas do bairro de Icaraí para manifestar apoio à reeleição do presidente Lula. Outra manifestação ocorreu no dia seguinte no Centro de Niterói, momento em que, segundo relatos, começaram as agressões verbais e ameaças por parte de simpatizantes do candidato adversário.
Imagens do grupo Juntos por Bolsonaro, compartilhadas em aplicativos de mensagens, mostram uma lista com nomes de estudantes que participaram dos atos em defesa de Lula. Em uma troca de mensagens, membros pressionam outros a declararem apoio a Flávio Bolsonaro, usando tom agressivo e ameaçador. Outro grupo, Direita Brasil, convocou seus integrantes para protestar com ovos e tintas nas cores verde e amarela, vestindo camisas do Brasil.
Impacto nas aulas e clima na comunidade acadêmica
O ambiente de tensão gerado pelas ameaças levou alguns institutos da UFF, como o de Letras, a suspender temporariamente as aulas. O estudante Wendel Rodrigues Silva relata que o medo se intensificou entre os alunos ao longo do dia, mesmo com esclarecimentos posteriores. Um membro do grupo Vem pra Rua chegou a afirmar que as ameaças seriam uma “brincadeira de mau gosto”, mas a apreensão permanece.
Para Wendel, a preocupação é que tais mensagens, sejam elas verdadeiras ou não, possam incentivar novos episódios de violência. “Sabemos que palavras podem gerar ações. Talvez esse grupo não execute as ameaças, mas podem estimular outros grupos”, explicou.
Posicionamento oficial da Universidade Federal Fluminense
A UFF divulgou nota oficial informando que, após receber denúncias por canais institucionais, encaminhou todo o material contendo ameaças para a Polícia Federal e demais órgãos competentes. A universidade também solicitou reforço na segurança junto à Prefeitura de Niterói e intensificou as medidas internas por meio da Superintendência de Operações e Manutenção (SOMA).
A instituição acompanha a apuração dos fatos em parceria com órgãos responsáveis e reafirma seu compromisso em colaborar integralmente com as investigações para garantir a segurança da comunidade acadêmica e a integridade do patrimônio.

