Tendências Econômicas para 2050
Completando 25 anos do século 21, 16 colunistas do Mercado da Folha foram convidados a compartilhar suas previsões sobre as tendências econômicas do planeta até 2050. O envelhecimento da população se destacou como a principal preocupação entre os especialistas. Para vários deles, essa questão demográfica aparecerá como uma das forças disruptivas que moldarão a economia global nas próximas décadas.
“Estamos observando um cenário de famílias menores e pessoas optando por ter filhos cada vez mais tarde, ou até mesmo decidindo não ter filhos”, afirma Michael França, economista formado pela USP e pesquisador do Insper. Segundo ele, a redução da população economicamente ativa pode trazer consequências sérias, como escassez de mão de obra, aumento na pressão fiscal e a necessidade de reconfigurar as estruturas urbanas.
Bráulio Borges, mestre em economia pela USP e diretor da LCA Consultores, complementa que três temas principais devem ter um impacto significativo nos próximos anos: o envelhecimento demográfico, o elevado endividamento público de diversos países e os efeitos das mudanças climáticas na economia. “Esses fatores não apenas coexistem, mas também interagem de maneira complexa e precisam ser abordados de forma integrada”, ressalta.
Outro ponto relevante levantado pelos colunistas é a convergência entre o envelhecimento populacional e a inovação tecnológica, especialmente através da inteligência artificial. Ana Paula Vescovi, economista-chefe do Santander Brasil, observa que essa combinação será fundamental para moldar o futuro do Brasil e do mundo. “A força das instituições será determinante para transformar a tecnologia em produtividade e prosperidade”, afirma.
Os desafios não param por aí. A questão etária também levantará preocupações sobre a arrecadação para o INSS no Brasil, além de promover a necessidade de combater a chamada “solidão estrutural”. Ronaldo Lemos, advogado e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, destaca que, apesar de estarmos mais conectados, as relações interpessoais estão se tornando cada vez mais frágeis, o que poderá agravar essa solidão.
“Nos próximos anos, podemos esperar que o INSS enfrente sérios problemas. Há uma expectativa crescente de que um banco acabe privatizando o sistema de proteção social do país. Esse pessimismo é sustentado por argumentos racionais sobre o crescimento da pirâmide demográfica e a redução de empregos formais”, opina Rômulo Saraiva, advogado e especialista em previdência.
Inteligência artificial, aliás, foi um tema recorrente nas análises. Economistas como Solange Srour e Roberto Campos Neto destacam que a IA será fundamental na transformação do sistema financeiro global. Campos Neto, ex-presidente do Banco Central e atualmente vice-chairman do Nubank, acredita que a tokenização e a programabilidade do dinheiro permitirão a negociação de ativos de maneira rápida e eficiente.
A urgência de integrar a população às novas tecnologias é outra questão levantada. Solange aponta que a IA redefinirá o mercado de trabalho, automatizando tarefas e criando novas funções. “A divisão será clara: aqueles que se adaptam à inteligência artificial e os que serão substituídos por ela”, alerta.
Os fenômenos climáticos também apareceram como um grande desafio para o futuro, conforme prevê o engenheiro Jerson Kelman. Ele menciona que as adaptações necessárias às mudanças climáticas demandarão investimentos em infraestrutura, como reservatórios de água e sistemas de tratamento de esgoto.
Além disso, na esfera fiscal, o jornalista Eduardo Cucolo sugere que o debate sobre justiça fiscal e eficiência do gasto público será cada vez mais relevante, especialmente no Brasil, onde a redução de despesas e impostos se mostrará um desafio complicado de resolver. Bernardo Guimarães, economista, destaca a ascensão das economias asiáticas, que, segundo ele, se tornará cada vez mais influente no cenário global, apesar do atual cenário de protecionismo.
Eduardo Sodré projeta que as montadoras chinesas superem as tradicionais marcas americanas e europeias, com veículos elétricos respondendo por uma parcela significativa das vendas. Rodrigo Tavares, professor convidado na NOVA School of Business and Economics, sugere que, após anos de aceleração tecnológica, haverá uma busca por reconstruir a convivência humana em comunidades menores, onde a empatia e a criatividade serão valorizadas.
Por fim, a economista Lorena Hakak, da FGV, destaca a importância de um investimento contínuo na educação, especialmente em matemática, para reduzir desigualdades de gênero e raça. Sem essas reformas essenciais, alerta ela, o Brasil pode continuar preso à sua atual condição de país de renda média.

