Fila de 26 Horas Para Garantir Vagas
Em um cenário de tensão e expectativa, pais de alunos direcionados à Escola Estadual Maria de Lourdes Widal Roma, localizada no Bairro Moreninhas, em Campo Grande, formaram uma fila de 26 horas antes da abertura das matrículas. Armados com caixas térmicas, cadeiras de praia e um sistema de revezamento entre familiares para evitar a exposição ao sol, o domingo (4) se tornou um dia de espera e revolta.
A lista de designação da pré-matrícula, que indica 298 estudantes alocados para a escola, deixou muitos responsáveis em dúvida. O documento apenas especifica se a vaga é para o período diurno ou noturno, sem detalhar se os alunos estudarão pela manhã ou à tarde, o que aumentou a ansiedade entre os pais.
Insegurança nas Vagas
Com a ausência de informações claras na lista e, segundo os responsáveis, sem uma confirmação prévia da direção escolar, Sávio Rodrigo da Silva, pedreiro de 44 anos, chegou à escola às 5h do domingo. Ele buscava garantir uma vaga pela manhã para o sobrinho, que está prestes a iniciar o ensino médio. “Meu irmão não pôde vir cedo devido ao trabalho. A escola pediu que alguém da família comparecesse e aguardasse, pois a escolha do horário seria feita por ordem de chegada. É essencial que ele estude de manhã”, explicou.
O amigo de Sávio, Luiz Pergorari, de 59 anos, também expressou sua preocupação quanto ao futuro do filho. “Foi a escola quem orientou a vir cedo para assegurar o horário. Se não conseguir, pode ser remanejado para outro turno ou até mesmo para outra escola”, comentou.
Preocupações em Meio à Espera
A professora Daiane Menezes, de 35 anos, ficou ciente da fila por volta das 11h, após ser informada pelo próprio filho. “Estava do outro lado da cidade e planejava chegar mais tarde, mas soube que já havia gente na fila. Fiquei apreensiva e deixei o que estava fazendo para vir o quanto antes”, relatou.
Solange Moreira, dona de casa de 48 anos e mãe de uma menina diagnosticada com deficiência intelectual, manifestou sua indignação. “É desumano. Minha filha tem laudos que garantem prioridade. A impressão que se tem é que não querem atender as crianças com deficiência”, desabafou.
Uma Luta por Vagas
Verani Lopes, diarista de 44 anos, também estava na fila, revezando o lugar com os filhos mais velhos. Ela lamentou não ter conseguido chegar mais cedo e encontrou pelo menos 20 pessoas à sua frente. “É um absurdo ter que madrugar para garantir uma vaga para o filho estudar. Se a criança não estuda, a culpa recai sobre os pais. É vergonhoso”, afirmou.
Conforme apurado pela reportagem, até as 15h do domingo, pelo menos 50 famílias ocupavam a calçada na Rua Anacá, onde está localizada a escola. A Secretaria Estadual de Educação (SED) foi procurada e informou que não há necessidade de formação de filas para as matrículas.
A SED ressaltou: “No processo de matrículas, os pais e responsáveis devem escolher o turno apenas no momento da efetivação, quando os estudantes são matriculados em turmas de tempo parcial. Contudo, a orientação é que o preenchimento seja feito de forma virtual, disponível a partir da meia-noite desta segunda-feira (5), através do Portal da Matrícula Digital.” A secretaria também enfatizou que as escolas são informadas sobre essa opção, já que os estudantes designados têm garantidas as vagas a serem efetivadas.

