Teatro do Oprimido: Acesso à Arte no Amazonas
Em janeiro, o projeto “Oficinas formativas em Teatro do Oprimido: possíveis experimentações para narrativas (auto)biográficas no ensino de ciência e a vida” ganha vida em três municípios do interior do Amazonas, com o apoio do Governo do Amazonas e do Governo Federal, por meio da Política Nacional Aldir Blanc. A proposta, que é completamente gratuita, visa levar práticas teatrais a públicos diversos, especialmente aqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade social.
As oficinas acontecerão nos municípios de Coari, Iranduba e Rio Preto da Eva. No dia 6 e 7 de janeiro, crianças e adolescentes de Coari, localizado a 363 quilômetros de Manaus, participarão das atividades na Associação Pestalozzi, em parceria com o músico Kerby Groove. Durante esses dois dias, os jovens serão envolvidos em jogos, improvisações, exercícios de criação cênica e encenações coletivas, com um cronograma que se estende das 8h às 16h.
Na terceira semana do mês, as oficinas seguirão para Iranduba, a apenas 27 quilômetros da capital. No Lar Terapêutico Ágape, homens jovens, adultos e idosos em reabilitação terão a oportunidade de participar de atividades semelhantes, também com duas jornadas de 8h às 16h.
Por fim, em Rio Preto da Eva, as oficinas ocorrerão no Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz, voltadas para homens e mulheres, nos mesmos horários. A intenção é proporcionar um espaço seguro e criativo onde todos possam explorar expressões artísticas e fortalecer laços comunitários.
Jackeline Monteiro, coordenadora do projeto, destaca a importância dessas oficinas. “Nosso objetivo é promover a inclusão social e ampliar o acesso ao teatro, permitindo que pessoas que frequentemente não têm contato com essa forma de arte possam se expressar e se fortalecer como comunidade”, detalha.
Estas ações são uma continuidade do trabalho iniciado anteriormente em Novo Airão e Manaus. Em Novo Airão, as oficinas abordaram questões relacionadas à preservação ambiental e à cultura amazônica, enquanto em Manaus, as atividades culminaram na apresentação do espetáculo “Um Sonho de Natal”, que ocorreu no Centro Espírita Casa do Caminho no dia 20 de dezembro.
Desenvolvido pelo Coletivo Allegriah, o projeto se baseia na metodologia do Teatro do Oprimido, que foi criada por Augusto Boal. Jackeline Monteiro, que também é mestranda na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), utiliza essa abordagem para fomentar a reflexão e o reconhecimento do papel de cada indivíduo na construção da sua própria narrativa.
O arte-educador Leandro Lopes complementa: “O Teatro do Oprimido é uma ferramenta poderosa, pois permite que cada participante se veja como protagonista de sua história, promovendo não apenas a arte, mas o fortalecimento dos vínculos comunitários e a participação ativa na sociedade”. As oficinas prometem ser um espaço de transformação e inclusão, onde a arte se torna um meio de expressão e resistência.

