A Nova Direção da Política Externa Americana
Após anos de intervenções focadas no Oriente Médio, os Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, estão adotando uma abordagem diferente em sua política externa. O ataque à Venezuela, que culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro em 3 de janeiro, sinaliza que a América Latina voltou a ser um ponto central na agenda política dos EUA.
Em entrevista ao programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a professora de Relações Internacionais Clarissa Forner, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), destacou que a recente ação dos EUA é indicativa de uma mudança no foco da política imperialista americana. “Essa reformulação da política externa, embora não seja uma novidade, traz uma nova interpretação dentro do contexto atual. Historicamente, os EUA têm se envolvido de maneira intensa em nossa região, mas, nos últimos anos, a América Latina não era vista como uma prioridade”, afirmou.
A Prioridade dos EUA em Relação à América Latina
Desde o início do século 21, os diversos governos dos EUA se concentraram em consolidar sua presença no Oriente Médio. Segundo Forner, isso fez parte de uma estratégia para reequilibrar a influência na Ásia, com foco na contenção do crescimento da China. No entanto, a China também desenvolveu importantes relações comerciais na América Latina, o que representa um desafio à estratégia de Trump, que agora busca reforçar a presença americana na região.
A professora ressalta que, apesar de a América Latina não ter deixado de ser um ponto de interesse, o que estamos presenciando agora é a primeira vez, em um contexto recente, que a região é claramente priorizada em uma estratégia americana. “Ainda que a América Latina tenha mantido uma presença dos EUA de diferentes formas, agora se vê a região como uma prioridade estratégica”, completou.
Desafios e Perspectivas Futuras
Clarissa Forner também alertou sobre a dificuldade de prever os próximos passos dos EUA na região, especialmente quando se trata de uma possível intervenção militar. Segundo a especialista, o governo Trump precisaria de autorização do Congresso para realizar uma ação tão contundente, o que não seria uma tarefa simples. “Essa intervenção direta levanta muitas questões e incertezas sobre o futuro: será que veremos a continuidade desse tipo de ação em outros países, além da própria Venezuela? Tudo permanece em aberto”, sintetizou.
Essa nova ênfase na América Latina pode indicar uma mudança significativa nos rumos da política externa americana, criando um ambiente de incertezas e expectativas tanto para os países da região quanto para a comunidade internacional.

