O Papel da Cultura no Desenvolvimento de Caxias do Sul
Na manhã desta quarta-feira (7), dou continuidade à série de entrevistas que busca explorar a questão: “Como Caxias do Sul pode se tornar protagonista na cena cultural do Estado?” Esta conversa é parte de uma reflexão maior iniciada em 1º de janeiro, com a publicação do artigo intitulado ‘Cultura é mais do que lazer’. Ao longo desse tempo, diversos produtores locais compartilharam suas perspectivas e propostas.
Hoje, quem traz suas contribuições é Juli Pandolfo, uma historiadora e produtora cultural com vasta experiência. Ela é diretora executiva e criativa do Tum Tum Festival e tem muito a dizer sobre o tema.
Em suas palavras, Juli ressalta: “Cultura não é decoração de calendário.” Para ela, Caxias do Sul possui uma riqueza cultural latente, mas carece de um fluxo adequado que permita seu desenvolvimento. A cidade, como muitas outras do interior, enfrentou desafios logísticos que dificultaram seu crescimento.
Recentemente, foi anunciado que o Aeroporto de Vila Oliva começará a operar, o que promete facilitar o acesso à cidade e impulsionar sua presença cultural. Porém, Juli destaca que além de melhorias na infraestrutura, é fundamental fomentar os equipamentos culturais. Manter, ampliar e criar espaços, tanto públicos quanto privados, é essencial para garantir que a produção cultural tenha continuidade e desenvolva-se de maneira profissional.
Outro aspecto crítico que ela menciona é a questão da conexão. No Sul do Brasil, há uma carência de articulação real que permita a circulação de produtos culturais e promova intercâmbios entre artistas. “É preciso afinar os caminhos e abrir as portas, pois quem não circula, acaba por desaparecer do mapa cultural”, afirma Juli. Para ela, o protagonismo cultural só poderá ser alcançado quando a sociedade entender que a cultura é mais do que um ornamento no calendário. É, na verdade, uma estratégia vital para o desenvolvimento, economia, identidade e imaginação.
Com 17 anos de experiência no setor, Juli é fundadora da Conexões Criativas e atua em projetos culturais de relevância, focando na educação, memória e indústria cultural. Como diretora do Tum Tum Festival, que está em sua 12ª edição, ela tem gerido diversas iniciativas culturais na Serra Gaúcha, contando com uma trajetória marcada pela inovação e compromisso com a cultura local.
A reflexão que Juli Pandolfo traz à tona é de suma importância para que Caxias do Sul se posicione como um verdadeiro polo cultural no estado. O diálogo sobre como a cidade pode se reinventar e fortalecer sua identidade cultural é essencial para o futuro, e iniciativas como estas são um passo importante nesse processo.

