Desvendando a vida e as perdas de Manoel Carlos
Manoel Carlos, um dos mais icônicos autores da televisão brasileira, faleceu no último sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. Reconhecido por seu talento e por transmitir sua essência nas tramas que escreveu, ele também viveu uma história pessoal marcada por profundas dores e perdas.
Em sua vida privada, Manoel enfrentou o luto pela morte de três de seus cinco filhos. Ricardo Almeida faleceu em 1988 devido a complicações relacionadas ao HIV. Anos depois, em 2012, Manoel Carlos Júnior perdeu a vida em decorrência de um ataque cardíaco. A dor se agravou com a morte do caçula, Pedro Almeida, que partiu aos 22 anos, em 2014, de um mal súbito. O autor também era pai de duas filhas: Júlia Almeida, atriz e produtora da produtora Boa Palavra, e a roteirista Maria Carolina.
Em um documentário intitulado “Tributo – Manoel Carlos”, lançado em 2024 na plataforma Globoplay, o autor compartilhou suas reflexões sobre essas perdas. Durante o filme, ele disparou: “Eu acho até engraçado quando falam de superação. Ah, teve tanto prejuízo, mas superou bem. Perdeu a família, mas superou bem. Não acredito nisso. Eu tenho três filhos que perdi e estão presentes permanentemente na minha memória, e em tudo o que eu faço. O que é superar? Acho até ingrato. Superar é esquecer?”.
Além do luto pelos filhos, Manoel Carlos também perdeu sua primeira esposa, Maria de Lourdes, em 1972, quando ela tinha apenas 36 anos. Após essa perda, ele contraiu matrimônio outras duas vezes. “Perdi minha primeira mulher quando ela tinha 36 anos, a mãe dos dois primeiros filhos. Encontro a felicidade outra vez num segundo casamento excelente, com uma filha maravilhosa. Teve o terceiro casamento, com a Beth [Almeida], minha atual mulher, casada comigo há 30 e tantos anos. Tive muitos ganhos também. Não trata de superar, trata de continuar vivendo”, refletiu ele.
Em sua fala, Manoel Carlos também expressou a intensidade da dor que a perda de um filho provoca. “Filho é a única perda que não tem superação, é muito doloroso e custoso, não tem super-homem para isso”, afirmou, evidenciando a profundidade do sofrimento que o acompanhou ao longo da vida.

