Nomeação Conturbada e Críticas Internas
A escolha de Adeilson Ribeiro Telles para presidir a estatal Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep), em dezembro, acirrou os ânimos no diretório fluminense do Partido dos Trabalhadores (PT). A nomeação, que está ligada ao Ministério de Minas e Energia, tem sido alvo de críticas por parte de Washington Quaquá, vice-presidente nacional da sigla e atual prefeito de Maricá. Quaquá alega que a decisão foi tomada unilateralmente pela ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, sem a devida consulta ao ministro Alexandre Silveira, do PSD, que lidera o ministério correspondente. No entanto, alguns dirigentes do PT apontam que a escolha de Telles foi, de fato, uma iniciativa de Silveira.
Segundo o prefeito, a indicação de Telles resultou de uma solicitação feita pela ala fluminense do partido, que é próxima ao líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, e ao secretário de Assuntos Parlamentares do Planalto, André Ceciliano. Quaquá expressou preocupação de que o histórico de Telles, que foi preso em 2018 durante a Operação Rizoma da Polícia Federal, possa prejudicar a imagem do governo Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente em ano de eleição.
— É fundamental ter cautela nas nomeações e valorizar as vozes que apoiam o PT e o governo do presidente Lula em suas respectivas regiões. A atual articulação política parece mais um comitê dominado por Lindbergh e Ceciliano. Estão escolhendo pessoas para cargos que podem gerar problemas para o governo federal. Pessoalmente, não busco cargos no governo Lula, mas irei lutar por aqueles que defendem o presidente e o partido — afirmou Quaquá.
Apoio e Críticas à Decisão
A ligação de André Ceciliano com o governo é estreita, dado que seu cargo está atrelado à pasta da ministra. No entanto, aliados de Lindbergh defendem que a escolha de Telles foi uma decisão natural, considerando sua experiência anterior na Nuclep. Ele assumiu a empresa em 2023, onde atuava como Gerente-Geral da Presidência desde maio de 2024.
Petistas que preferem não se identificar comentam que a nomeação de Telles foi uma decisão meticulosamente acordada dentro do PT fluminense, com a única exceção de Quaquá, que se opôs à escolha.
Implicações da Operação Lava-Jato
Vale lembrar que Telles foi preso em abril de 2018 durante desdobramentos da Operação Lava-Jato, que investigou uma série de fraudes em fundos de pensão, resultando em um esquema que movimentou cerca de R$ 20 milhões em propinas. Ele foi libertado no mês seguinte, após decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o caso acabou sendo arquivado posteriormente.
Olavo Brandão, membro da Executiva Estadual do PT no Rio, ressalta que Telles é filiado à corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), a linha majoritária do partido, que, curiosamente, também é a de Quaquá. Já Lindbergh pertence à Resistência Socialista. Brandão critica a postura de Quaquá em reavivar o histórico de Telles de maneira sensacionalista, classificando essa atitude como desonesta ao insinuar uma culpabilidade permanente à figura de Telles para fins políticos.
Divergências Estratégicas para 2026
As tensões no diretório do PT no Rio cresceram em meio a discussões acaloradas sobre a estratégia do partido para a eleição de 2026. O grupo liderado por Quaquá está propondo uma aliança com o prefeito do Rio, Eduardo Paes, que deverá ser candidato ao governo em outubro. Por outro lado, a ala mais próxima a Lindbergh e Ceciliano manifesta resistência em apoiar essa aliança, e Ceciliano, que já foi presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), tem sido cotado para uma possível candidatura a um mandato-tampão no governo estadual, caso o atual governador, Cláudio Castro, deixe o cargo no próximo mês de abril, situação que exigiria votação entre os deputados estaduais.
No ano passado, Quaquá já havia levantado questões sobre o uso da máquina federal por lideranças ligadas ao Planalto para promover agendas pessoais, o que, segundo ele, demonstra descaso em relação ao presidente Lula. Em resposta, Lindbergh chegou a chamar Quaquá de “desprezível” na discussão.

