Um Marco na Arte Contemporânea
Beatriz Milhazes: 100 Sóis marca a estreia da artista no circuito de exposições individuais em Salvador, apresentando no Museu de Arte da Bahia (MAB) uma seleção abrangente de obras que abrange três décadas de sua criação. A mostra oferece um panorama diversificado das diferentes fases de sua carreira, revelando os elementos que a caracterizam como uma das figuras centrais da abstração contemporânea.
Com curadoria do crítico e historiador Tiago Mesquita, a exposição inclui uma variedade de trabalhos, desde pinturas históricas até colagens recentes e uma instalação projetada especificamente para as janelas do MAB. Essa variedade ressalta como a pintura continua a ser o eixo central da pesquisa de Milhazes, influenciando toda a sua produção artística.
Um Diálogo de Estilos e Referências
As obras estão dispostas de maneira a criar uma colagem espacial, evidenciando tanto a riqueza do repertório formal da artista quanto a complexidade de suas estratégias compositivas. O arranjo expõe o diálogo das criações de Milhazes com a arte moderna em diversas geografias, além de incorporar elementos da tradição construtiva, design e até mesmo do carnaval carioca. Essa interação ressalta uma coreografia de formas que, por sua vez, abrange questões da imagem pop, reafirmando a relevância de sua obra no cenário contemporâneo.
Um dos destaques da exposição é um vitral inovador, projetado para as janelas do museu, que utiliza padrões típicos da artista em filmes translúcidos multicoloridos, filtrando a luz de forma a criar uma atmosfera caleidoscópica no espaço expositivo. Outra obra significativa em exibição é A Seda, um trabalho icônico de sua produção dos anos 2000. Nela, elementos gráficos em cores vibrantes se expandem a partir do centro da tela, formando um emaranhado de arabescos que combinam fluidez e ordem.
Novas Criações e Camadas de Significado
Nos trabalhos mais recentes, como Memórias do Futuro II (2023), a artista aplica grafismos com canetas de tinta acrílica sobre formas já existentes, criando novas camadas de padrões que se articulam em uma rede complexa e multidimensional. Essa técnica revela uma nova faceta de sua exploração criativa, ampliando ainda mais as possibilidades dentro de sua prática artística.
A exposição, que tem o apoio do Ministério da Cultura, do Museu de Arte da Bahia e do Itaú, é realizada através da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), contando também com o respaldo do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), órgão vinculado à Secretaria de Cultura do Governo do Estado da Bahia (SecultBA).
Sobre Beatriz Milhazes
Natural do Rio de Janeiro e nascida em 1960, Beatriz Milhazes é amplamente reconhecida internacionalmente por sua produção artística que mescla rigor construtivo, referências da cultura popular e elementos da história da arte. Sua obra é constituída por pinturas, colagens, gravuras e instalações, e está presente em instituições de renome ao redor do mundo.
A trajetória da artista é marcada pela participação em importantes eventos, como a Bienal de Veneza, e por exposições em instituições prestigiadas, como a Fondation Cartier em Paris e o Pérez Art Museum em Miami. Em 2025, o Museu Solomon R. Guggenheim em Nova York apresentará “Rigor and Beauty”, sendo a primeira mostra individual de um artista brasileiro na instituição, solidificando ainda mais sua relevância no contexto artístico global.
Suas obras estão presentes em coleções de prestígio, incluindo o MoMA, o Metropolitan Museum of Art e a Pinacoteca do Estado de São Paulo, entre outros, refletindo sua influência e reconhecimento contínuo no cenário artístico.
Serviço da Exposição
Beatriz Milhazes: 100 Sóis
Abertura: 29 de janeiro de 2026, às 18h
Período expositivo: 29 de janeiro a 26 de abril de 2026
Local: Museu de Arte da Bahia – MAB, Av. Sete de Setembro, 2340 – Corredor da Vitória, Salvador
Horário de visitação: terça a domingo, das 10h às 18h

