Iniciativa Inovadora para a Educação e o Samba
O samba, mais do que um simples ritmo musical, representa uma rica manifestação cultural que contribui para a formação da identidade, memória, conexão territorial e pertencimento. Com essa visão em mente, a Prefeitura do Rio de Janeiro lançou a plataforma “Rio, Escola do Samba”, que visa conectar as pessoas à história do samba e do carnaval carioca.
Eduardo Guedes, diretor do Núcleo de Produção da Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio de Janeiro (MultiRio), que lidera esta iniciativa, explica que reconhecer o potencial educativo do samba foi uma decisão natural. “O que fizemos foi basicamente validar que o samba ensina; ele e o carnaval são, na essência, espaços de aprendizagem”, afirmou. “Quando falamos de carnaval, tratamos de uma significativa produção cultural, que está sempre associada à geração de conhecimento”.
Aprimorando o Aprendizado
A plataforma não se limita a oferecer entretenimento interativo por meio de jogos; ela também disponibiliza materiais que contextualizam os diversos territórios que dão vida ao samba, além de apresentar movimentos culturais que se espalham pela cidade. Personalidades históricas, como Tia Ciata, Pixinguinha e Cartola, também são destacadas.
No Brasil, a Lei 10.639/2003 torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira em todas as escolas de ensino fundamental e médio, públicas e privadas. A MultiRio tem como meta que esse rico material seja integrado às aulas, promovendo uma experiência educacional mais completa. “Acreditamos que a cidade, em sua totalidade, também tem um papel educativo, e é fundamental que todos reconheçam o samba e o carnaval como expressões pedagógicas poderosas”, destaca Guedes.
Acesso e Interatividade
Todos os conteúdos da plataforma podem ser acessados no site oficial. Entre os jogos disponíveis, os usuários têm a oportunidade de tocar instrumentos ou até mesmo comandar uma bateria de uma escola de samba, guiados pelos ritmistas da escola mirim da Acadêmicos do Grande Rio. O mini documentário “Onde Mora o Samba?” também faz parte da iniciativa, apresentando a relação do samba com a formação territorial e a memória coletiva da cidade.
A Conexão Histórica com as Escolas de Samba
A relação do samba com a educação não é uma novidade. No Rio de Janeiro, diversos espaços históricos, que são patrimônios imateriais do estado, já realizam há anos trabalhos que visam a manutenção sociocultural em seus territórios. Agremiações como Mangueira, Beija-Flor e Portela mantêm complexos culturais e esportivos que oferecem oficinas de música, dança e artes marciais ao longo do ano. Além disso, promovem pré-vestibulares sociais, cursos de capacitação profissional e atividades que visam a inserção de jovens no mercado de trabalho.
Nas escolas de samba mirins, que estão sempre associadas a uma agremiação matriz, a frequência escolar e o desempenho acadêmico das crianças e jovens são requisitos essenciais para a participação nas atividades, funcionando como um incentivo para a continuidade dos estudos.
*Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia.

