Reconhecimento Cultural para a Bala Juquinha
Um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) busca reconhecer a Bala Juquinha como patrimônio cultural fluminense. A proposta, veiculada no Diário Oficial nesta quarta-feira (11/03), agora segue para apreciação nas comissões competentes da Casa.
De autoria do deputado estadual Rodrigo Amorim (União), a justificativa do projeto ressalta que a Bala Juquinha é um “símbolo de memória afetiva”, evocando lembranças da infância, da simplicidade e das tradições populares que permeiam a cultura carioca.
Embora seja amplamente apreciada pelos fluminenses, a origem da Bala Juquinha remonta a Santo André, São Paulo, onde o doce foi criado. Desde 2015, um empresário carioca, que atua no Mercadão de Madureira, assumiu a administração da marca, o que ajudou a fortalecer sua presença no estado.
A proposta, além de oferecer um reconhecimento simbólico, sugere que o governo do estado desenvolva ações para promover e valorizar a Bala Juquinha, reconhecendo a relevância do doce na cultura local, apesar de já ser bastante popular entre a população.
Se aprovada, a medida colocará a Bala Juquinha entre os bens culturais do Rio de Janeiro, ao lado de expressões tradicionais como o Jongo, e de outras reconhecidas mais recentemente, como a Batata de Marechal Hermes.
Antes de ser votado no plenário, o projeto deverá passar por avaliações nas comissões de Constituição e Justiça, Cultura e Assuntos Municipais, além da de Desenvolvimento Regional da Alerj.
A História da Bala Juquinha
A Balas Juquinha Indústria e Comércio Ltda foi fundada em 1945, em Santo André, sob o nome de Salvador Pescuma Russo & Cia Ltda, como uma empresa familiar. Inicialmente, a companhia se dedicava à produção de refresco em pó efervescente, mas, cinco anos mais tarde, diversificou sua linha de produtos, começando a fabricar balas mastigáveis.
Com o tempo, a Bala Juquinha se tornou um verdadeiro fenômeno no Brasil, rapidamente conquistando o mercado. Durante a década de 90, em plena vigência do Plano Real, a bala virou sinônimo de troco nos supermercados, bares e restaurantes, e sua receita foi até exportada para mais de 60 países.
No entanto, em 2015, a produção foi interrompida devido à falta de interesse dos filhos do fundador, o italiano Giulio Luigi Sofio, de 77 anos, em dar continuidade ao negócio. Essa pausa gerou apreensão entre os admiradores do doce, que o consideram um ícone de sua infância.
O projeto de lei atual pode ser uma oportunidade para revitalizar essa tradição e garantir que a história da Bala Juquinha continue viva entre as novas gerações, reforçando seu status como um importante patrimônio cultural do estado do Rio de Janeiro.

