Resultados Consolidados da Balança Comercial
A balança comercial do Brasil alcançou um superávit de US$ 4,3 bilhões em janeiro, conforme divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) nesta quinta-feira (5). Este valor representa um aumento significativo de 85,8% em comparação ao superávit de US$ 2,3 bilhões registrado no mesmo mês do ano passado. O resultado deste janeiro é o segundo maior desde o início da série histórica, ficando apenas atrás do superávit de US$ 6,2 bilhões obtido em janeiro de 2024.
No mês, as exportações totalizaram US$ 25,2 bilhões, o que significa uma ligeira queda de 1% em relação a janeiro de 2023. Em contrapartida, as importações somaram US$ 20,8 bilhões, apresentando uma redução de 9,8%, contribuindo para o saldo positivo da balança comercial.
Desempenho por Setor e Produtos
A análise das exportações por setores revela interessantes variações. A agropecuária viu um leve crescimento de 2,1%, mas com um recuo no volume de 3,4% e um aumento de 5,3% no preço médio. Na indústria extrativa, houve uma queda de 3,4%, com um aumento de 6,2% no volume, mas uma baixa de 9,1% no preço médio. Já a indústria de transformação apresentou uma leve queda de 0,5%, com um recuo de 0,6% no volume e 0,1% no preço médio.
Entre os principais produtos que impactaram negativamente as exportações em janeiro estão o café não torrado, com uma queda de 23,7%, o algodão bruto, que registrou uma diminuição de 31,2%, e o trigo e centeio não moídos, com uma redução de 33,6%. Na indústria extrativa, os óleos brutos de petróleo e o minério de ferro também apresentaram quedas significativas de 7,8% e 8,6%, respectivamente. Na indústria de transformação, os produtos como óxido de alumínio, açúcares e tabaco também mostraram quedas expressivas.
Entretanto, um ponto positivo foi o agronegócio, que viu suas exportações de soja aumentarem em 91,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, impulsionadas pela antecipação de embarques, além de um aumento de 18,8% nas vendas de milho não moído.
Importações e Expectativas Futuras
A queda nas importações está fortemente vinculada à diminuição das compras de petróleo e à desaceleração econômica, refletindo um contexto de investimentos reduzidos. Os números mostram que os principais produtos importados, como o cacau bruto e o trigo, também tiveram quedas expressivas, com a diminuição de 86,3% e 35,5%, respectivamente.
O Mdic está otimista em relação ao superávit comercial para 2026, prevendo que o saldo pode variar entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões. As projeções indicam que as exportações poderão terminar 2026 entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões, enquanto as importações devem ficar entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões. É importante lembrar que essas estimativas são revisadas trimestralmente, com novas informações a serem divulgadas em abril.
No ano anterior, a balança comercial do Brasil teve um superávit de US$ 68,3 bilhões, enquanto o recorde foi em 2023, com um saldo positivo de US$ 98,9 bilhões. Comparativamente, as previsões do Mdic superam as estimativas do Boletim Focus, uma pesquisa do Banco Central que aponta um superávit de US$ 67,65 bilhões para o final deste ano.

