Análise da Candidatura de Zema e o Papel de Deltan
Recentemente, a candidatura de Romeu Zema à presidência tem enfrentado desafios significativos. O ex-governador de Minas Gerais, filiado ao partido Novo, tem sido frequentemente questionado em entrevistas sobre a possibilidade de desistir de sua corrida eleitoral. Apesar das tentativas da sigla em minimizar essa especulação, vozes internas no partido começam a sugerir uma aliança com Flávio Bolsonaro, do PL, já no primeiro turno. Essa mudança de direção ocorre mesmo na ausência de uma proposta concreta para que Zema assuma a vice-presidência na chapa.
Nos bastidores, as lideranças do Novo, especialmente da região Sul, têm manifestado sua preferência por colaborar nacionalmente com a legenda liderada por Valdemar Costa Neto. Entre os exemplos desse movimento estão Deltan Dallagnol, ex-procurador da Lava-Jato e pré-candidato ao Senado, além de Marcel Van Hatten e Adriano Silva, ambos também em candidaturas no Paraná e Rio Grande do Sul, respectivamente. Essa estratégia indica um possível desvio do Novo em sua identidade política, que pode se tornar uma linha auxiliar do bolsonarismo.
Essa nova orientação do partido não está isenta de um debate interno mais amplo. Desde as eleições de 2018, o Novo não conseguiu emplacar um candidato forte, com João Amoêdo obtendo apenas 2,5% dos votos e Felipe d’Avilla não alcançando nem 0,5% na última eleição. A questão que se coloca é se o partido deseja se alinhar ao grupo de Flávio Bolsonaro ou se quer se estabelecer como uma alternativa sólida na direita, capaz de criticar as fragilidades do atual senador e de sua família.
A situação tem gerado desconforto entre os assessores de Zema, que desejam um espaço para criticar Flávio Bolsonaro, mas se sentem cerceados por suas diretrizes partidárias. Depois de participar de manifestações que defendiam a anistia de Bolsonaro e outros condenados, Zema agora observa a ascensão de Renan Santos, pré-candidato à presidência pelo recém-formado partido Missão, que se posiciona como um candidato antissistema. Isso é algo que o Novo pretendia fazer ao criticar o STF e o atual presidente Lula.
O partido Missão, que teve seu registro aprovado pelo TSE no último mês de novembro, cresceu a partir do Movimento Brasil Livre, que ganhou destaque durante a operação Lava-Jato e o impeachment de Dilma Rousseff. Um evento recente em São Paulo evidenciou a flexibilidade do Missão em comparação ao Novo, onde Santos não hesitou em atacar Flávio Bolsonaro, chamando-o de “ladrão”, algo que Zema está proibido de fazer. Essa abordagem mais agressiva tem gerado resultados positivos, com vídeos desse tipo se tornando virais e pesquisas apontando Kim Kataguiri, do Missão, à frente de Zema nas intenções de voto.
A estagnação de Zema nas pesquisas, muito possivelmente exacerbada pela pré-candidatura de Ronaldo Caiado, do PSD, não alterou a percepção de Deltan. Para o ex-procurador, levantar questões sobre a rachadinha e a origem questionável do patrimônio de Flávio é um caminho que pode inviabilizar Zema como uma opção viável para a vice-presidência na chapa do PL, uma articulação que o ex-governador tem buscado.
Deltan tem mostrado um meticuloso cálculo político ao evitar conflitos diretos com Flávio, mesmo tendo conhecimento de denúncias relacionadas a movimentações financeiras de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador, que levantaram suspeitas em relação a esquemas de rachadinha. Conversas entre procuradores da Lava-Jato, reveladas pelo site Intercept, mostram que Deltan reconhecia a gravidade das denúncias, mas optou por manter uma postura discreta publicamente.
Desde sua filiação ao Novo, Deltan tem se tornado uma figura influente nas decisões do partido, recebendo um salário mensal de R$ 30,4 mil e tendo um contrato de R$ 340 mil com a sigla para oferecer cursos de formação em liderança. Essa situação revela como sua presença é significativa no cenário político atual e como suas decisões podem impactar o futuro do Novo.

