Um Ícone da Sétima Arte
O Cine Odeon, um dos mais importantes espaços culturais do Rio de Janeiro, está completando 100 anos de história. Inaugurado em abril de 1926, na Praça Floriano, ele se destaca como o cinema de rua mais antigo ainda em funcionamento na cidade, representando uma verdadeira resistência em meio a tantas mudanças ao longo das décadas.
Desde sua inauguração, o Odeon passou por transformações significativas, tanto no ambiente do Centro quanto na forma como o público consome cinema. A partir da década de 1970, com o surgimento dos shoppings centers, muitas salas de cinema da cidade fecharam suas portas, e a Cinelândia, tradicional reduto cinematográfico, viu seu prestígio diminuir. Contudo, o Cine Odeon conseguiu se manter, sendo um exemplo de longevidade e adaptação. Segundo a professora Talitha Ferraz, do Programa de Pós-Graduação em Cinema da UFF, a receita para a sobrevivência do Odeon esteve nas constantes iniciativas e na diversificação de sua programação.
“O Odeon realmente se destacou como um sobrevivente. A Petrobras tem um papel fundamental nessa história, uma vez que encampou o Odeon como Casa do Cinema Brasileiro, promovendo diversas sessões especiais e pré-estreias importantes, especialmente relacionadas ao Festival do Rio. Além disso, o cinema também realizou eventos icônicos, como o Cachaça Cinema Clube, que ajudaram a mantê-lo sempre ativo e relevante”, explicou Ferraz.
A História por Trás do Nome Odeon
A narrativa do Cine Odeon remete a um passado ainda mais distante. O nome Odeon já era utilizado no início do século XX, quando um cinema que leva essa denominação funcionava na então Avenida Central, hoje conhecida como Rio Branco. Este local se tornou famoso pela presença do pianista Ernesto Nazareth, que se apresentava antes das exibições, criando uma atmosfera única que originou a famosa música “Odeon”, um clássico da música brasileira.
Inaugurado em 1909, este primeiro cinema fazia parte do início da exibição cinematográfica na cidade e, posteriormente, foi incorporado à Companhia Cinematográfica Brasileira, liderada pelo empresário Francisco Serrador. A conexão entre o antigo e o atual Odeon é elucidada pela professora Ferraz: “O primeiro Cinema Odeon representava uma época de transição, em 1909, quando o cinema começava a se firmar na cultura carioca. Os filmes eram mais curtos, e as salas, com assentos de palha, proporcionavam uma experiência diferente da que temos hoje”.
A Resiliência do Cine Odeon
Apesar das dificuldades enfrentadas ao longo de sua trajetória, incluindo o fechamento temporário em 2014, o Cine Odeon ressurgiu em 2015 sob a nova designação de Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro. Desde então, ampliou suas atividades, oferecendo muito mais do que simples exibições de filmes. Atualmente, o Odeon é reconhecido por sua curadoria cuidadosa e se firmou como um dos principais palcos do Festival do Rio.
Para celebrar um século de existência, o cinema promoveu uma sessão especial, onde os ingressos foram vendidos a apenas R$ 1,00. A demanda foi tão alta que os bilhetes se esgotaram rapidamente, demonstrando a forte conexão que o cinema mantém com o público carioca.
O Cine Odeon, ao longo de seus 100 anos, não apenas preservou a memória cinematográfica da cidade, mas também se reinventou, refletindo a vivacidade e a resiliência da cultura carioca.

