O que é a Cláusula de Desempenho?
Conhecida como cláusula de desempenho, essa regra exige que os partidos políticos atinjam um percentual mínimo de votos válidos para a Câmara dos Deputados ou um número determinado de deputados eleitos para acessar recursos do Fundo Partidário e garantir tempo de propaganda na televisão e no rádio. Essa exigência visa assegurar um desempenho abrangente, não se limitando apenas a regiões específicas do país.
Desde sua implementação, a cláusula impactou significativamente o número de partidos com representação na Câmara. Na última eleição geral, realizada em 2022, quinze partidos não conseguiram atingir os critérios estabelecidos. Para avançar além da barreira, os partidos precisavam cumprir uma das duas condições: eleger, pelo menos, 11 deputados federais distribuídos em um terço das unidades da federação, ou obter 2% dos votos válidos, com um mínimo de 1% em nove estados.
Novas Metas para 2026 e 2030
A partir de 2026, as condições foram elevadas: os partidos terão que eleger 13 deputados federais em um terço das unidades da federação ou alcançar 2,5% dos votos válidos, com um mínimo de 1,5% em nove estados. Já para 2030, as metas serão ainda mais rigorosas, exigindo a eleição de pelo menos 151 deputados federais, ou a conquista de 3% dos votos válidos, com 2% em nove estados.
Em 2018, trinta partidos conseguiram eleger pelo menos um representante no parlamento, mas este número caiu para 19 em 2022, considerando as federações como uma única sigla. Atualmente, são apenas 17 legendas com representação na Câmara.
Fusões e Fragmentação Partidária
A fusão de partidos também se intensificou como resposta à cláusula de barreira. O PTB e o Patriota, por exemplo, uniram-se para formar o Partido da Renovação Democrática (PRD). O Pros, que elegeu três deputados em 2022, foi incorporado pelo Solidariedade. Essas mudanças refletem um movimento estratégico claro para garantir a sobrevivência e acesso a recursos essenciais.
A cláusula não apenas reduziu o número de siglas, mas também contribuiu para uma diminuição da fragmentação partidária. No Brasil, atualmente, existem cinco federações formalmente registradas:
- Cidadania – PSDB
- PSOL – Rede
- Brasil da Esperança: PT, PCdoB e PV
- Renovação Solidária: PRD e Solidariedade
- União Progressista: União Brasil e PP
A união de partidos como União Brasil e PP, que não necessitavam se unir para atingir a cláusula, exemplifica uma estratégia para se tornarem a maior força político-partidária do país, resultando na maior bancada da Câmara e somando mais de 1,3 mil prefeitos.
Impactos no Tempo de Televisão
Em relação ao tempo de propaganda eleitoral, o atual cenário mostra que, se mantidas as pré-candidaturas já apresentadas, apenas três partidos terão acesso a tempo na TV e rádio nas próximas eleições: PT (Lula), PSD (Ronaldo Caiado) e PL (Flávio Bolsonaro). Isso se deve ao fato de que somente essas legendas cumpriram a cláusula de barreira em 2022.
Partidos como Novo (Romeu Zema), Democracia Cristã (Aldo Rebelo) e Missão (Renan Santos) enfrentarão dificuldades, pois não terão direito a propaganda eleitoral. Essa competição por espaço na mídia impulsiona os partidos a buscarem coligações, especialmente com o “Centrão”, já que o tempo de TV está diretamente ligado ao número de deputados eleitos.
Concentração de Recursos e Comportamento do Eleitor
A cláusula de barreira também gera uma concentração de recursos nas mãos dos grandes partidos, intensificando o poder de barganha de seus dirigentes. Isso representa um desafio à renovação de quadros no Congresso Nacional, pois a tendência é que os recursos eleitorais sejam direcionados a candidatos já em mandato, limitando as chances de novos nomes.
Além disso, essa dinâmica pode influenciar o comportamento do eleitor, que, reconhecendo a dificuldade de partidos pequenos em atender aos critérios da cláusula, pode ser menos propenso a votar neles. Com isso, a cláusula de desempenho se revela uma ferramenta poderosa que molda não apenas a estrutura partidária, mas também a própria natureza da disputa eleitoral no Brasil.

