Um olhar sobre os clubes que desapareceram
O mundo do futebol brasileiro é repleto de histórias de sucesso, paixão e também de tristezas. Recentemente, foi revelado que, dos 161 clubes que já disputaram o Campeonato Brasileiro, cerca de 30 deixaram de existir. Essa estatística alarmante revela que, em média, quase um em cada cinco times que chegaram à primeira divisão do Brasileirão não sobreviveu ao passar do tempo. O Globo fez uma investigação profunda, desvendando a trajetória desses clubes, suas ascensões e, principalmente, as razões por trás de seus desaparecimentos. O resultado é uma reflexão sobre a fragilidade de projetos em um cenário muitas vezes implacável.
Motivos para a Extinção
A extinção de clubes no futebol brasileiro não acontece de forma única. Existem diversas razões que levam equipes a deixar de existir. De acordo com a pesquisa, pelo menos oito dos 30 clubes que sumiram foram oficialmente extintos, encerrando suas atividades e desaparecendo do cenário esportivo. Um caso emblemático é o do Eletrovapo, de Niterói, que conquistou o Campeonato Estadual em 1964, mas enfrentou dificuldades financeiras que culminaram no fim de suas atividades em 1977, mesmo após uma participação invicta na elite nacional em 1965.
Outra maneira de desaparecimento é a fusão com outros clubes, como aconteceu em Curitiba, onde o Ferroviário se uniu a outras equipes para formar o Colorado, que por sua vez também foi extinto mais tarde. Essa ‘extinção planejada’ reflete uma estratégia comum no futebol, onde a troca de nomes e CNPJ ocorre, mas a paixão pelo jogo persiste.
Além disso, existem clubes que, embora não tenham sido extintos, deixaram o futebol profissional, como o Metropol, de Criciúma, que decidiu voltar ao amadorismo, ou o Fonseca, que se destacou no futsal, mas não compete mais em torneios profissionais desde os anos 60. Essa mudança de foco evidencia que muitos times deixaram de ser relevantes no cenário competitivo.
As Causas do Desaparecimento
Uma análise mais profunda revela que as causas para o fim desses clubes são variadas e frequentemente complexas. Um dos principais fatores é o custo da profissionalização. Muitos clubes, que conseguiram um espaço na elite ao longo das décadas, não suportaram o aumento das despesas. O caso do Estrela do Mar, de João Pessoa, exemplifica bem essa realidade. Fundado em 1953, o clube foi campeão paraibano em 1959, mas seu auge durou pouco, já que não conseguiu arcar com as novas exigências financeiras do futebol.
Além disso, clubes que dependiam de um único patrocinador também enfrentaram dificuldades. O Perdigão, de Videira-SC, é um exemplo de como a falta de um suporte financeiro consistente pode levar ao desmantelamento de um projeto. Quando a empresa que o sustentava decidiu cortar investimentos, o clube não resistiu.
O Papel do Contexto Político e Geográfico
Outro aspecto que não pode ser ignorado é o contexto político e geográfico no qual os clubes estavam inseridos. O Guanabara, de Brasília, por exemplo, prosperou enquanto a cidade se organizava, mas assim que o cenário mudou, o clube perdeu sua função e logo deixou de existir. Essa relação entre o futebol e o ambiente político é um fator determinante para a sobrevivência ou extinção de muitos times.
No que diz respeito à geografia, os estados de Paraná, Distrito Federal e Rio de Janeiro são os que mais concentram clubes extintos. Isso se deve a diversas questões, incluindo fusões e mudanças na estrutura do futebol. A história do Olímpico, do Amazonas, que tentou retornar após décadas de inatividade e enfrentou dificuldades climáticas, é uma ilustração clara de como o contexto local pode impactar brutalmente a trajetória de um clube.
Histórias que Ficam
Enquanto alguns clubes desapareceram, suas histórias permanecem como um alerta sobre a fragilidade das estruturas esportivas. A trajetória de clubes que estiveram na elite do futebol brasileiro é um reflexo de um sistema que, se por um lado proporciona sonhos e emoções a torcedores, por outro exige muito mais do que paixão para manter um projeto vivo. Cada extinção é uma lição que deve ser aprendida para que o futebol, um dos maiores orgulhos do Brasil, não perca mais histórias e tradições.

