Programação Cultural na Vila Olímpica
A Vila Olímpica da Gamboa se torna palco para uma rica programação cultural, que inclui dança, teatro e circo, tudo de forma gratuita. Essa iniciativa, promovida por coletivos culturais, faz parte do edital Cultura em Movimento, que busca democratizar o acesso à arte e promover a inclusão de grupos sociais historicamente marginalizados. Após a primeira fase do edital, cada coletivo recebeu uma bolsa de R$ 8 mil para desenvolver suas apresentações, com forte foco em diversidade e inclusão.
No total, foram escolhidos 12 projetos, representando quatro coletivos do Rio de Janeiro, quatro de São Paulo e quatro de Salvador, na Bahia. Estes grupos integrarão a programação da Motiva, uma empresa brasileira focada em infraestrutura de mobilidade, que também abriga o Instituto Motiva.
Segundo Renata Ruggiero, presidente do Instituto, o edital reafirma o compromisso de levar cultura a diferentes comunidades: “Apoiar coletivos locais fortalece a economia criativa e amplia o impacto social de nossas ações. Ver artistas ocupando espaços públicos demonstra, na prática, como a arte pode transformar realidades e aproximar as comunidades de seu patrimônio cultural”.
Coletivos Selecionados e suas Propostas
No Rio de Janeiro, os coletivos Corte, Aula Delas, Peleferia e a Companhia Manaká foram selecionados. As apresentações ocorrerão depois de um intenso processo de masterclasses e ensaios, realizados pela co.liga, uma escola digital gratuita de economia criativa e cultura.
Bruna Camargo, coordenadora de projetos da Fundação Roberto Marinho e da co.liga, explica que o processo foi similar a uma residência artística: “A ideia era que os coletivos criassem performances que dialogassem com o corpo, o espaço e o trânsito, olhando de maneira nova para a Vila Olímpica. Conectamos os artistas com os territórios, como a Maré e a Providência”.
Companhia Manaká: Uma Experiência Cênica Única
A Companhia Manaká, composta por Daniel Sanches, Eliayse Villote, Vítor Constant, Bárbara Farias e Luciano Rufino, traz uma proposta inovadora ao explorar a cosmologia indígena através do circo contemporâneo e da dança. A apresentação busca narrar a criação do mundo segundo a tradição Guarani, utilizando uma estrutura aérea que possibilita acrobacias e cria imagens que remetem ao cosmos.
Bárbara Thaís, representante da Companhia, expressa a expectativa do grupo: “Estamos empolgados para apresentar nosso espetáculo, que é uma forma de levar nossa cultura a um espaço urbano, surpreendendo aqueles que passam por ali”.
Aula Delas: A Arte como Acolhimento e Reflexão
O coletivo Aula Delas, fundado por Isabella Bellas e Kley Hudson, se destaca por sua proposta inclusiva, reunindo artistas e dançarinos trans. A performance, intitulada “Tiranas”, traz três mulheres trans em cena, com o intuito de provocar reflexão e acolhimento no público. Isabella destaca a importância da formação recebida pela co.liga: “As aulas e palestras foram fundamentais para organizar nossa criatividade e nos conectar com outros coletivos”.
Teatro Corte e Peleferia: Narrativas que Provocam Reflexão
O coletivo Corte, formado por jovens de comunidades periféricas, se consolidou em 2024 através da escola de artes livres “Entre Lugares Maré”. Sob a direção de Renata Tavares, o grupo aborda narrativas negras e periféricas, inspirando-se em obras de Plínio Marcos, como “Querô, uma Reportagem Maldita”. Thiago Manzotti, um dos integrantes, destaca a importância das masterclasses: “Elas ampliaram nossa visão sobre como tratar temas difíceis com mais sensibilidade”.
Por sua vez, o coletivo Peleferia, composto por Adrielle Carvalho, Andrezza Soares e Dudu Neves, levará aos palcos o projeto “Trabalho Nosso De Cada Dia”, que aborda o desgaste físico e psicológico gerado pela dura rotina de trabalho. O grupo pretende provocar a audiência a refletir sobre sua própria realidade.

