Impacto da morte de participante na Maratona de Niterói
O falecimento do empresário Jair Vieira Junior, ocorrido após a 5ª Maratona de Niterói, reacendeu o debate sobre segurança e supervisão em corridas de rua no Rio de Janeiro. Juninho, como era conhecido, tinha 53 anos e completou os 42 quilômetros da prova, recebendo a medalha antes de apresentar sintomas graves. Ele foi atendido no posto médico do evento e levado ao Hospital Municipal Carlos Tortelly, mas não resistiu.
Exigência de índices para provas longas
Especialistas e treinadores consultados defendem a necessidade de critérios mais rigorosos para participação em provas superiores a 15 quilômetros, como a imposição de índices mínimos. Wallace Barbosa, professor de educação física, destaca que índices funcionam como filtros importantes para evitar que atletas despreparados enfrentem desafios físicos excessivos, embora reconheça que qualquer pessoa pode passar mal durante uma prova.
André Guilherme ressalta que a segurança do corredor deve ser prioridade, reforçando que o conhecimento dos próprios limites e a orientação de treinadores são fundamentais para prevenir acidentes. Luana Cabral, corredora e professora de educação física, observa que a popularidade das corridas aumentou o número de participantes, o que exige atenção redobrada para evitar consequências graves à saúde.
Posição da Federação Estadual de Atletismo do RJ
O presidente da Federação Estadual de Atletismo do Rio de Janeiro, Robson Maia, afirma que a entidade defende regras mais rígidas para organização dessas provas. A federação supervisiona eventos que solicitam o “permit”, documento regulado pela Norma 7 da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), que garante a medição correta dos percursos, pontos de hidratação, ambulâncias, equipes médicas e banheiros químicos.
No caso da Maratona de Niterói, o evento possuía o permit, e a empresa organizadora costuma seguir os protocolos. Ainda assim, relatos indicaram demora no atendimento a casos de menor gravidade durante a prova, o que levanta questionamentos sobre a estrutura de suporte médico.
Desafios na organização e conscientização dos participantes
Karen Casalini, diretora da 3A Eventos, organizadora da Maratona, afirma que a prova contava com oito ambulâncias, autorização dos Bombeiros (DGDP) e seguros contra acidentes. Ela destaca o aumento significativo nos atendimentos médicos durante a prova e atribui parte dos incidentes à falta de preparo dos atletas, que muitas vezes não consultam um médico antes de se inscrever.
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Casalini cita casos de óbitos em outras corridas no Brasil e no exterior, reforçando a necessidade de conscientização dos corredores. Nas redes sociais, a Maratona de Niterói manifestou pesar pela morte do participante.
Proposta de protocolos médicos mais rigorosos
Robson Maia propõe aprimorar a fiscalização dos recursos médicos disponíveis nas ambulâncias e estabelecer protocolos mais rígidos para atendimento durante as provas. A federação discute com a confederação e a Associação Brasileira dos Organizadores de Corrida de Rua e Esportes Outdoor (Abraceo) um protocolo mais preciso para garantir a segurança dos corredores.
Além disso, a federação busca conscientizar organizadores sobre a importância do cumprimento das regras de segurança, visando prevenir novos incidentes.
Problemas na fiscalização e eventos sem permit
Segundo Maia, cerca de 80% das corridas na capital fluminense ocorrem sem solicitar o permit da federação ou da confederação, embora esse número não seja oficial, já que a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SMEL) não fornece dados à entidade. A federação monitora eventos por meio das redes sociais e pode emitir notificações extrajudiciais em casos de irregularidades, mas não tem poder para impedir a realização das provas.
Um exemplo citado foi uma corrida em Duque de Caxias que não recebeu o permit por falhas apontadas pela federação, mas ocorreu normalmente. Maia reforça que, para maior segurança, organizadores devem buscar a chancela da federação.
Exigências da Prefeitura do Rio para eventos esportivos
A Prefeitura do Rio esclareceu que só autoriza corridas mediante comprovação de estrutura adequada, incluindo liberação dos Bombeiros (DGDP), Licença Sanitária (IVISA), equipe médica e postos de hidratação. Em 2025, a cidade recebeu 195 corridas de rua, com previsão de 239 para 2026.
Reuniões semanais entre órgãos como CET-Rio, Bombeiros (DGDP) e Guarda Municipal visam garantir a segurança operacional dos eventos. A Secretaria Municipal de Esportes também negocia com a Federação Estadual de Atletismo para ajustar valores do permit e viabilizar os eventos.
Limitações legais e papel da federação
Robson Maia destaca que a federação não possui autoridade para impedir corridas que não cumpram as normas, atuando apenas na orientação e fiscalização dentro de suas atribuições. Ele cita o artigo 153 da Lei Geral do Esporte e critica a falta de fiscalização pelas secretarias municipais.
O presidente alerta os corredores para que participem apenas de provas para as quais estejam fisicamente preparados, já que não há mecanismo legal que proíba inscrições em corridas sem chancela oficial.
Desafios na autorização e medição dos percursos
Maia critica a ausência da autoridade desportiva no processo de autorização, que envolve diversos órgãos como Comlurb, Iphan, Exército, CET-Rio, Corpo de Bombeiros (DGDP) e Polícia Militar. Ele também chama atenção para o fato de que poucas provas têm medição oficial do percurso, o que pode levar a alterações não autorizadas.
A federação tenta estabelecer diálogos com secretarias e prefeituras para mostrar a importância da entidade no ecossistema das corridas de rua e na segurança dos participantes.

