Crescimento Significativo nas Carteiras Assinadas
De acordo com os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (30), o Brasil registrou um aumento de 2,6% no número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado entre setembro e novembro. Este crescimento representa a inclusão de aproximadamente 1 milhão de novos empregados, alcançando um total de 39,4 milhões de trabalhadores. O resultado é considerado um feito inédito, já que não contaram os trabalhadores domésticos.
Além do setor privado, o número de funcionários no setor público também apresentou um aumento significativo, com 13,1 milhões de trabalhadores, o que equivale a um crescimento de 1,9%, ou mais 250 mil pessoas, no mesmo período. Ao olhar para o acumulado do ano, este número representa uma alta de 3,8%, ou seja, 484 mil novos postos de trabalho.
Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, comentou que, apesar da variação não ter sido estatisticamente significativa, a trajetória de inclusão de carteiras ao longo de 2024 indica um movimento sustentado. “Estamos terminando este trimestre com 39,4 milhões, um número que representa um recorde na série histórica de carteiras assinadas no setor privado”, afirmou durante uma coletiva virtual.
Estabilidade entre os Trabalhadores Informais
O mesmo trimestre também trouxe resultados estáveis para os trabalhadores sem carteira assinada, que totalizaram 13,6 milhões. Embora esse número tenha se mantido estável, representa uma queda de 3,4%, ou 486 mil trabalhadores a menos ao longo do ano.
No entanto, o número de trabalhadores por conta própria atingiu um novo marco histórico, com 26 milhões de pessoas nessa condição. Embora tenha se mantido estável em relação ao trimestre anterior, houve um aumento de 2,9% ou 734 mil trabalhadores ao longo do ano.
“A marca de 26 milhões de trabalhadores por conta própria é um grande feito e reflete uma continuidade na expansão desse segmento”, destacou Beringuy. Apesar de a variação trimestral não ter sido expressiva, o crescimento sustentado permitiu o alcance desse número impressionante.
Informalidade em Queda
Com o aumento de trabalhadores com carteira assinada, a taxa de informalidade no mercado de trabalho também sofreu alterações. A proporção de trabalhadores informais caiu para 37,7% da população ocupada, totalizando 38,8 milhões de pessoas. Esse número representa uma redução em relação ao trimestre anterior, que registrou 38,0%, e também é inferior aos 38,8% de informalidade reportados no mesmo período do ano passado.
Beringuy classifica este cenário como interessante, pois revela não apenas o aumento da população ocupada, mas também a retração do setor informal. “O ramo informal não apenas estagnou, mas também demonstrou sinais de perda de força”, analisou.
Adriana também enfatizou que uma parte significativa dos 601 mil novos trabalhadores que ingressaram no mercado em novembro se destacou no segmento da administração pública e serviços sociais, que subiu 2,6%, representando 492 mil novos empregados. É importante notar que, apesar das contratações temporárias nesse setor, as funções na educação têm caráter formal.
Taxa de Desemprego e Rendimento Médio
No que se refere à taxa de desocupação, o IBGE registrou uma taxa de 5,2%, correspondendo a 5,6 milhões de pessoas em busca de trabalho. Essa é a menor taxa desde 2012, quando se iniciou a série histórica da Pnad Contínua. Desde o segundo trimestre de 2025, o indicador tem mostrado sucessivas quedas.
Outro ponto a ser destacado é o recorde em relação ao rendimento médio real habitual da população ocupada, que atingiu R$ 3.574. Isso representa um aumento de 1,8% no trimestre e de 4,5% comparado ao mesmo período do ano passado, descontando a inflação. Esse avanço foi impulsionado principalmente pelo setor de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras.
Além disso, a massa de rendimento real habitual também alcançou novo recorde, totalizando R$ 363,7 bilhões, com um crescimento de 2,5% no trimestre e de 5,8% no ano. Esses dados ressaltam a recuperação e o crescimento do mercado de trabalho brasileiro em 2024.
Metodologia da Pesquisa
A Pnad Contínua é considerada a principal pesquisa sobre a força de trabalho no Brasil, abrangendo 211 mil domicílios em 3.500 municípios, com coletas trimestrais. Para realizar esse trabalho, cerca de dois mil entrevistadores atuam em mais de 500 agências do IBGE em todo o país, assegurando a abrangência e a qualidade dos dados coletados.

