Expectativa de Crescimento Econômico
Um boletim divulgado pelo governo do Rio Grande do Sul nesta terça-feira (27) sinaliza uma tendência otimista para o crescimento econômico do estado em 2026. Essa projeção está intimamente ligada à recuperação da produção agrícola, especialmente após os desafios enfrentados devido à estiagem. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam uma impressionante expansão de 55,4% na safra de soja e de 19,9% na produção de milho, o que deve impulsionar o Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano.
O relatório, elaborado pelo Departamento de Economia e Estatística da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão, destaca que essa aceleração do crescimento no Rio Grande do Sul segue um padrão histórico observado após períodos de quebra de safra. Em situações de recuperação na agropecuária, o setor primário se torna um importante vetor de expansão da economia estadual, colocando o Rio Grande do Sul em uma posição superior à média nacional. Em 2025, até setembro, o setor agropecuário havia acumulado uma retração de 10,8%, que impactou o ritmo de crescimento do estado naquele ano.
Desempenho Econômico em Contraponto Nacional
A projeção para a economia gaúcha se destaca em meio a um cenário de desaceleração previsto para a economia brasileira. Para 2026, instituições e organismos de análises econômicas projetam um crescimento mais moderado do PIB nacional, estimando em torno de 1,6% segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado ao Ministério do Planejamento, e 1,8% conforme o relatório “Focus” do Banco Central.
No entanto, o Rio Grande do Sul entra nesse contexto com indicadores recentes que sinalizam recuperação. No terceiro trimestre de 2025, o PIB do estado cresceu 4,5% em comparação ao trimestre anterior e 2,5% em relação ao mesmo período de 2024. Este desempenho fez com que o volume do PIB estadual se aproximasse do maior nível já registrado, estando 7,6% acima do patamar pré-pandemia. Além disso, a taxa de desocupação caiu para 4,1%, o menor índice desde o início da série da Pnad Contínua, em 2012, o que sugere um mercado de trabalho em fase de aquecimento.
Avanços no Emprego Formal
Ao analisar o mercado de trabalho, o rendimento médio real habitual e a massa real de rendimentos apresentaram incrementos de 5,4% e 5,6%, respectivamente, na comparação com o mesmo trimestre de 2024. O estado gerou 54.026 novos postos de trabalho nos 12 meses até novembro, resultando em um avanço de 1,9% em relação ao estoque de empregos em novembro de 2024. Vale ressaltar que houve saldos positivos de emprego em todas as 28 regiões dos Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes).
Aceleração da Atividade Econômica
Os indicadores conjunturais mais recentes demonstram uma aceleração da atividade econômica no fim do ano. No trimestre móvel encerrado em novembro, a indústria de transformação registrou um crescimento de 4,6%, enquanto o comércio avançou 3,5% e os serviços cresceram 3%. O volume de vendas no comércio, em novembro, supera em 6,8% os níveis observados antes das enchentes de 2024. No acumulado de 2025 até novembro, a indústria de transformação contabilizou um crescimento de 2,2%, com destaque para os segmentos de máquinas, equipamentos e produtos alimentícios.
As exportações atingiram US$ 21,515 bilhões em 2025, apresentando uma diminuição de 1,9% em comparação ao ano anterior. Esse resultado se deve, em grande parte, à queda de 15,4% nas vendas de produtos agropecuários, enquanto as exportações de produtos industriais avançaram 2,6%. Em termos de destinos, as vendas para a Argentina cresceram 36,4%, destacando-se nas transações internacionais.
Arrecadação e Cenário Nacional
A arrecadação do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) alcançou R$ 54,582 bilhões em 2025, com um crescimento real de 1,0%. Esse desempenho foi impulsionado pela inclusão de recursos vinculados aos programas de renegociação de tributos em atraso — Refaz Reconstrução I e II — que somaram cerca de R$ 2 bilhões durante o ano.
No cenário nacional, o PIB cresceu apenas 0,1% no terceiro trimestre de 2025, atingindo um novo pico histórico, com contribuições positivas da indústria (0,8%), da agropecuária (0,4%) e dos serviços (0,1%). A inflação, medida pelo IPCA, fechou o ano em 4,26%, dentro do intervalo da meta estabelecida, enquanto a taxa Selic permaneceu em 15% ao ano.
Dados do IBGE revelam que o número de pessoas ocupadas no Brasil atingiu 103,019 milhões no trimestre móvel até novembro de 2025, com um aumento de 0,6% em relação ao trimestre anterior e de 1,1% em comparação ao mesmo período de 2024. Durante esse intervalo, o rendimento médio mensal de todos os trabalhos no país alcançou R$ 3.574, apresentando um crescimento de 1,8% na margem e de 4,5% em termos interanuais.
Por fim, o ambiente econômico global continua a ser impactado por incertezas tarifárias e geopolíticas, que têm moderado tanto o comércio de bens quanto as projeções de crescimento das economias. De acordo com o FMI, a economia mundial deve crescer 3,3% em 2026, a mesma taxa projetada para 2025.

