Desafios Financeiros e Ações Estratégicas da CSN
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), sob a liderança de Benjamin Steinbruch, vive um contraste marcante em sua trajetória financeira em apenas quatro anos. Enquanto 2021 foi considerado um “ano histórico” para a empresa, culminando em resultados operacionais e financeiros robustos, o cenário atual é bem diferente. O grupo acaba de concluir o ano passado enfrentando uma intensa pressão de credores e agências de classificação de risco. Em um movimento que evidenciou essa situação crítica, a S&P Global rebaixou as notas de crédito da companhia em novembro, seguidas por Fitch e Moody’s.
A alavancagem financeira, que já se mostrava crescente desde o início de 2024, culminou em um prejuízo de R$ 1,5 bilhão em 2025, semelhante ao registrado no ano anterior. Esse resultado negativo foi acompanhado por uma queda na geração operacional e um fluxo de caixa livre desfavorável. A dívida líquida da CSN alcançou R$ 41,2 bilhões, com um caixa reduzido em R$ 9 bilhões, resultando em uma alavancagem de 3,47 vezes — bem acima do limite de 3 vezes considerado aceitável pela maioria dos investidores.
Durante uma teleconferência com investidores realizada no dia 12, Steinbruch buscou minimizar a gravidade da situação, afirmando que o aumento da alavancagem era pontual, decorrente principalmente dos serviços da dívida e do incremento nas atividades de investimento. Segundo ele, a expectativa é de que a situação comece a se reverter a partir deste trimestre, com melhor desempenho previsto para a CSN e suas subsidiárias a partir de 2026.
No entanto, a urgência em corrigir o quadro financeiro levou a empresa a elaborar um plano para reduzir seu endividamento, que já se aproximava de R$ 40 bilhões. O objetivo traçado pela direção foi vender ativos e participações avaliadas entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões.
Movimentos de Venda de Ativos e Reestruturação
A CSN, reconhecida como pioneira na fabricação de aços planos no Brasil e fundada em 1941, já tomou algumas medidas para cortar o crescimento da dívida. No início de 2025, a empresa transferiu 11% da sua participação na CSN Mineração para a trading japonesa Itochu, por R$ 4,4 bilhões, recurso que foi direcionado para reforçar o caixa. Mais tarde, no final do mesmo ano, Steinbruch alienou 13% da participação da CSN na MRS Logística, concessionária ferroviária, para a mineradora, em troca de R$ 3,35 bilhões — uma manobra para realocar recursos entre suas subsidiárias.
Recentemente, a CSN elaborou um plano mais abrangente, visando reduzir a dívida para um patamar saudável de R$ 18 bilhões, aguardando que os processos de venda sejam finalizados até o quarto trimestre de 2026. O foco principal recai sobre a venda do controle de sua cimenteira e até 30% de duas holdings de infraestrutura.
Em 2024, a empresa já havia investido R$ 1,1 bilhão na aquisição da Elizabeth Cimentos, elevando sua participação no mercado de cimento brasileiro para 21%. Contudo, a tentativa de aquisição da InterCement não prosperou, o que muitos acionistas consideram uma bênção, dada a situação financeira atual da CSN.
A Influência da Taxa de Juros e da Concorrência Externa
Além das questões internas, a CSN também enfrenta desafios externos. A taxa Selic, que saltou de 2% em 2021 para 15% atualmente, impactou diretamente o endividamento da empresa, que teve que arcar com cerca de R$ 7 bilhões em juros no último ano. A concorrência também se acentuou com a entrada de aço importado, especialmente da China, o que pressionou ainda mais os resultados da CSN nos últimos dois anos. Steinbruch acredita que as iniciativas do governo brasileiro, como ações antidumping e o aumento de alíquotas de importação, podem trazer um alívio necessário ao mercado.
As repercussões dessa crise financeira não passaram despercebidas no mercado. Após a divulgação dos resultados negativos do quarto trimestre, as ações da CSN caíram mais de 14%, refletindo a preocupação dos investidores com o aumento da alavancagem. Analistas da XP Investimentos e Citi destacaram que a situação da CSN se tornou ainda mais delicada e requer ações rápidas para melhorar sua estrutura de capital.
Os papéis da companhia passaram por uma deterioração significativa desde o final de 2021, com a ação negociada a R$ 24,99 naquela época, caindo para R$ 8,94 em 2025, enquanto o valor de mercado caiu para R$ 11,85 bilhões, um terço do que era antes. Este cenário exige uma abordagem estratégica cuidadosa por parte da CSN para se recuperar e restaurar a confiança de investidores e credores.

