Desfile das Campeãs no Rio de Janeiro
Na noite de sábado (21), o Rio de Janeiro foi palco do desfile das campeãs na Marquês de Sapucaí, evento que, apesar da forte chuva que caiu sobre a cidade, atraiu uma multidão ávida por celebração. A festa, que reuniu as seis escolas de samba campeãs do carnaval carioca, começou com performances de artistas renomados como João Gomes, Léo Santana e Michel Teló, e se estendeu até o amanhecer deste domingo (22), coroando a Viradouro como a grande vencedora.
A Mangueira e Seus Questionamentos
A primeira a se apresentar foi a Estação Primeira de Mangueira, que, após uma performance marcante, expressou sua insatisfação com as notas que recebeu. A escola, que ficou em sexto lugar no Carnaval 2026, levantou questionamentos sobre a avaliação do mestre-sala Matheus Olivério e da porta-bandeira Cintya Santos. Um cartaz exibido atrás do casal de dançarinos defendia: “Mangueira em defesa da dança ancestral”. Cintya e Matheus perderam um total de dois décimos no quesito.
Outro incidente que chamou a atenção foi a chegada atrasada de Evelyn Bastos, a rainha de bateria da escola. Devido a um atraso, ela não conseguiu entrar com a agremiação no Setor 1, o mais popular da Sapucaí, precisando se arrumar no primeiro recuo da bateria antes de se juntar aos ritmistas.
O enredo da Mangueira, intitulado “Amazônia Negra”, rendeu uma homenagem a Mestre Sacaca, Raimundo Nonato Rodrigues, uma figura icônica conhecida por seu papel como curandeiro e articulador cultural no Amapá, simbolizando a sabedoria popular da região.
Imperatriz Leopoldinense e Suas Homenagens
A Imperatriz Leopoldinense foi a segunda escola a se apresentar, alcançando o quinto lugar no Carnaval deste ano. Com o samba-enredo “Camaleônico”, a agremiação prestou homenagem ao cantor Ney Matogrosso, que aos 84 anos, mostrou garra e disposição durante o desfile das campeãs.
Durante o evento, o carnavalesco Leandro Vieira, responsável pelo carnaval da escola, comentou que ainda não decidiu seu futuro na Imperatriz, após conquistar o campeonato da Série Ouro com a União de Maricá, que agora ascende ao grupo especial para o Carnaval de 2027.
Salgueiro e a Nova Geração
Em seguida, a Acadêmicos do Salgueiro, uma das escolas mais tradicionais do Rio, apresentou um enredo que homenageou a carnavalesca Rosa Magalhães. Com o título “A Delirante Jornada Carnavalesca da Professora Que Não Tinha Medo de Bruxa, de Bacalhau e Nem do Pirata da Perna-de-Pau”, a agremiação emocionou o público.
Viviane Araújo, que está à frente da bateria vermelho e branca há 18 anos, aproveitou o clima descontraído do desfile para levar seu filho, Joaquim, pela primeira vez à avenida, recebendo grande ovulação do público.
Vila Isabel e a Conexão com a Ancestralidade
A Vila Isabel também fez sua entrada na Sapucaí, evocando a conexão entre o samba, a ancestralidade africana e os terreiros da Pequena África no Rio de Janeiro. A escola prestou tributo ao sambista, pintor e compositor Heitor dos Prazeres, garantindo o terceiro lugar na classificação geral do carnaval carioca.
A competição foi acirrada, já que Beija-Flor e Vila Isabel terminaram com a mesma pontuação. Contudo, a escola de Nilópolis conquistou o vice-campeonato por meio de um critério de desempate, que levou em conta o “canto insuficiente em algumas alas” da Vila. Luiz Guimarães, filho do presidente da escola, mencionou que as punições foram avaliadas “de forma muito realista”, reconhecendo as falhas na harmonia da apresentação.
Beija-Flor e a História do Candomblé
A penúltima a desfilar foi a Beija-Flor de Nilópolis, que contou a trajetória do “Bembé do Mercado”, o maior Candomblé de rua do mundo, que ocorre na cidade de Santo Amaro, Recôncavo Baiano, desde 1889. A escola, que foi vice-campeã do carnaval, se destacou ao abrir espaço para Jéssica Martin, a única intérprete feminina a puxar o samba no Grupo Especial.
Outro destaque foi a presença de Mestre Ciça, homenageado pela Viradouro, que caminhou ao lado da bateria da Beija-Flor durante a apresentação.
Viradouro: A Grande Campeã
A Viradouro, que começou seu desfile por volta das 5h da manhã, conquistou o coração do público com seu samba-enredo “Pra cima Ciça”, que reverenciou Moacyr da Silva Pinto, conhecido como Mestre Ciça, diretor de bateria da escola. O desfile garantiu à Viradouro seu quarto título, um feito que não ocorria desde 2024.
A agremiação repetirá sua apresentação no dia 7 de março, em um evento aberto ao público no centro de Niterói, prometendo mais alegria e celebração para os amantes do carnaval.

