Uma relação musical que atravessa décadas
Dionne Warwick é uma das poucas artistas norte-americanas que mantém uma conexão profunda e duradoura com a música brasileira. Desde 1962, quando começou a gravar canções da dupla Burt Bacharach e Hal David, ela desvendou um universo pop que dialoga com a cultura do Brasil. Nos anos 1990, especialmente a partir de 1993, Dionne passou temporadas em Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA), mergulhando na música local para produzir o álbum “Aquarela do Brasil”. O disco, lançado em 1994 com produção de Téo Lima, leva o nome do clássico samba-exaltação de Ary Barroso, eternizado na versão em inglês escrita por Bob Russell, em 1942.
Show no Rio destaca repertório brasileiro na turnê de despedida
Na noite de 17 de outubro, no Vivo Rio, Dionne Warwick apresentou um espetáculo que evidenciou mais uma vez sua afinidade com a música do Brasil. Integrante da turnê mundial “Over and out – A farewell tour”, a passagem pelo Rio de Janeiro (RJ) antecede shows agendados em Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR). Com quase 86 anos, a cantora adapta sua voz para tons mais baixos, que se encaixam perfeitamente à bossa nova.
O espetáculo iniciou com “Garota de Ipanema”, samba que foi apresentado em 1962 pelos compositores Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, no mesmo ano em que Dionne lançou seu primeiro single solo de Bacharach e David, “Don’t make me over”. A versão em inglês da música, escrita por Norman Gimbel em 1963, marcou a conexão da artista com o Brasil.
Clima de bossa e homenagem aos clássicos
O show seguiu com “Na Baixa do Sapateiro”, samba de Ary Barroso de 1938, apresentado em inglês na versão de Ray Gilbert, “Bahia”. Dionne arriscou versos em português, como “Meu Senhor do Bonfim / Arranje uma morena igualzinha para mim”, trazendo uma atmosfera de bossa nova e ancestralidade ao palco.
Em seguida, um medley de Tom Jobim, que abre o álbum “Aquarela do Brasil”, ganhou vida com trechos de “Quiet nights of quiet stars (Corcovado)”, “Wave” e “Waters of march”. A interpretação de Dionne refletiu o cuidado e a sensibilidade ao revisitar esses clássicos da música brasileira.
Encerramento com emoção e promessa de convivência
O bloco brasileiro do show foi encerrado com uma versão quase épica de “Aquarela do Brasil”, que traduziu em bossa o amor da cantora pelo país. Ao final, Dionne Warwick reafirmou seu carinho pelo Brasil e disse ao público carioca que não a ouviria mais cantar nos palcos, mas que ainda a veria na vida cotidiana — seja no shopping, na praia ou nas ruas da cidade — demonstrando sua intenção de continuar vivendo e convivendo com a cultura local mesmo após a despedida.

