Conflitos Políticos Após a Prisão de Salvino Oliveira
A recente prisão do ex-secretário municipal e vereador Salvino Oliveira, que ocorreu em sua residência, trouxe à tona um acirrado embate político entre o prefeito Eduardo Paes (PSD) e o governador Cláudio Castro (PL). Paes, em resposta a críticas e provocações, manifestou-se publicamente, declarando que será o primeiro a cobrar punições a qualquer ilegalidade relacionada à detenção. “Aqui não tem omissão. Nem conivência. Se houver qualquer ligação do vereador com delinquentes, eu serei o primeiro a condenar”, afirmou Paes nas redes sociais, em um claro confronto com Castro, a quem acusou de não tomar atitudes semelhantes em relação a aliados presos.
O governador, por sua vez, não hesitou em expor o vídeo da detenção de Salvino, afirmando que a polícia havia capturado um dos braços direitos do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio.
A Resposta de Paes ao Governador
Este confronto verbal chegou a um novo nível quando Paes criticou publicamente as prisões de “dirigentes do governo do estado” por supostas conexões com o crime organizado. Essa declaração teve como pano de fundo a recente operação da Polícia Federal, que resultou na prisão do ex-subsecretário estadual de Defesa do Consumidor, Alessandro Pitombeira Carracena. Paes enfatizou a gravidade da situação, lembrando de casos passados em que secretários estiveram envolvidos com o tráfico e bicheiros.
Além disso, Salvino Oliveira, dois dias antes de sua prisão, havia se mostrado crítico aos escândalos no governo, utilizando a tribuna da Câmara Municipal para pedir que qualquer um que estivesse envolvido com irregularidades fosse punido. Essa retórica, no entanto, não foi suficiente para evitar sua detenção, assim como o envolvimento de seis policiais militares, que foram acusados de vender informações ao tráfico e de negociar a liberação de eventos em comunidades carentes.
Provas e Acusações
A Polícia Civil alega que Salvino recebeu autorização de Edgard Alves de Andrade, conhecido como Doca, líder do Comando Vermelho, para conduzir sua campanha na Gardênia. Os investigadores apresentaram uma transcrição de uma conversa em que um interlocutor perguntava se Salvino estava autorizado a atuar na comunidade, evidenciando a relação do vereador com o tráfico. Felipe Curi, secretário de Polícia Civil, se manifestou sobre a situação, afirmando que é inadmissível que um político tenha que pedir permissão a criminosos para realizar sua campanha eleitoral.
Embora a polícia alegue que Salvino facilitou a concessão de licenças para quiosques na Gardênia em benefício da facção criminosa, não houve apresentação de provas concretas a este respeito. Os comerciantes, segundo os agentes, foram escolhidos de maneira não transparente, sem os devidos processos públicos.
Contexto das Licenças e as Denúncias
No ano passado, o então secretário municipal de Ordem Pública, Brenno Carnevale, denunciou que as barracas de uma feira local estavam paralisadas. Em seu depoimento, ressaltou que as licenças foram dadas a comerciantes que já estavam estabelecidos e que outras foram sorteadas, negando qualquer influência do tráfico. Carnevale também revelou que o fechamento das barracas foi ordenado por uma associação de moradores a pedido do deputado estadual TH Jóias, que possui histórico de envolvimento com o crime.
TH Jóias, com atuação em favelas da Zona Sudoeste, foi preso em setembro do ano passado, acusado de vazar informações para o Comando Vermelho. Conversas em seu celular resultaram na prisão do deputado Rodrigo Bacellar (União), que, embora tenha sido libertado com tornozeleira eletrônica, foi afastado do cargo de presidente da Assembleia Legislativa do Rio.
Defesa de Salvino
Em um desdobramento interessante, Salvino Oliveira negou qualquer vínculo com Doca e responsabilizou uma possível ligação à instalação dos quiosques na Gardênia. O delegado Vinícius Miranda, responsável pela Delegacia de Combate ao Crime Organizado, comentou que a investigação ainda está em andamento e que a prisão temporária do vereador é um passo necessário para aprofundar os trabalhos.
“Os indícios encontrados foram enviados à Justiça, que autorizou a prisão para que possamos avançar nas investigações. O objetivo é identificar a cadeia exata da participação dele nesse caso”, disse Miranda.

