Decisão do STF e Cenário Eleitoral
O futuro político do Rio de Janeiro pode ser decidido em breve. O Supremo Tribunal Federal (STF) avaliará na próxima quarta-feira (8) a possibilidade de realizar uma eleição em junho. Dependendo da decisão dos ministros, a Justiça Eleitoral estabelecerá o calendário das eleições suplementares imediatamente.
Os principais candidatos já estão definidos e, curiosamente, muitos se repetirão nas urnas. O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que lidera as pesquisas de intenção de voto para as eleições gerais de outubro, é esperado como um dos principais concorrentes. Seu rival direto deverá ser Douglas Ruas (PL), que representa o grupo político do ex-governador Cláudio Castro (PL). Além deles, outros nomes como o ex-governador Wilson Witzel (DC) e o deputado federal afastado Glauber Braga (PSOL-RJ) também devem estar na disputa.
O Contexto da Crise Política
A urgência por uma nova eleição surgiu após a renúncia de Castro ao governo, ocorrida em março deste ano. Com a saída dele, seu vice, Thiago Pampolha, já havia renunciado em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ). O próximo na linha sucessória, Guilherme Delaroli (PL), que é o atual presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), não pode assumir porque ocupa a posição interinamente. O titular do cargo, Rodrigo Bacellar (União), se encontra afastado e preso. Assim, a governança do estado está nas mãos do presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto de Castro.
A Luta pela Eleição Direta
Recentemente, Paes se lançou como pré-candidato, defendendo a realização de eleições diretas para o mandato-tampão. Seu partido, o PSD, é o responsável pela ação que questiona no STF uma decisão anterior do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que propôs a realização de uma eleição indireta, sendo os deputados estaduais os responsáveis pela escolha. Essa determinação contraria a legislação eleitoral, que prevê eleições diretas se a vaga do cargo for aberta até seis meses antes do término do mandato.
Se a realização da eleição suplementar for confirmada, a data provável é 21 de junho. Anualmente, o TSE publica um calendário com as possíveis datas para essas eleições extras. Vale lembrar que, caso nenhum candidato alcance mais de 50% dos votos, será necessário um segundo turno entre os dois mais votados.
Candidatos em Campanha
A campanha já está em movimento, mesmo sem uma definição clara do STF. Douglas Ruas lançou sua candidatura dois dias após Paes, enfatizando a excepcionalidade do momento vivido pelo Rio de Janeiro, devido às vacâncias dos cargos de governador e vice. “Apesar da legislação apontar para eleição indireta, defendo a direta, pois é essencial ao exercício da democracia. Se essa for a decisão do STF, estarei preparado para concorrer tanto ao mandato-tampão quanto às eleições de outubro”, declarou no último sábado.
Glauber Braga também manifestou seu desejo de concorrer nas duas eleições, afirmando: “Já informei ao meu partido que tenho disposição de ser candidato nesta eleição antecipada e pretendo me candidatar em outubro buscando a reeleição”. Ele ressaltou a importância da decisão do partido sobre quem será o candidato, considerando que outros nomes também estão sendo avaliados.
Estratégias e Expectativas
Wilson Witzel, que já havia enfrentado Paes nas eleições de 2018, também está decidido a participar dos pleitos. Após sofrer impeachment em 2021 e ver seu sucessor renunciar, ele declarou: “O Democrata, partido ao qual pertenço, terá um candidato, independentemente de a eleição ser direta ou indireta. A Alerj não tem condições de eleger um novo governador, por isso defendemos uma eleição direta, e eu serei o candidato”.
Outra figura no cenário político, Anthony Garotinho (Republicanos), que inicialmente planejava concorrer a deputado federal, agora considera a possibilidade de se lançar como candidato ao governo do estado. Em um vídeo publicado recentemente, ele comentou: “Se a população demonstrar, através de pesquisas, que deseja uma mudança, eu estarei pronto para ser pré-candidato ao governo. Minha candidatura está em aberto”. Garotinho também defendeu que a eleição para o mandato-tampão seja direta. O UOL tentou obter uma posição sobre sua participação nas próximas eleições, mas não teve resposta até o momento.

