Conflito entre Estudantes e Polícia em Escola do Rio
Na manhã desta quarta-feira (25), uma manifestação organizada por estudantes no CE Senor Abravanel, na Zona Sul do Rio de Janeiro, terminou em violência. Durante o ato, que pedia o afastamento de um professor acusado de assédio, dois alunos foram agredidos por um policial militar, gerando indignação entre a comunidade escolar e entidades estudantis.
Os alunos, membros da Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro (AMES-Rio), estavam mobilizados para denunciar a situação de assédio dentro da escola. Marissol Lopes, presidente da AMES-Rio e uma das agredidas, relatou que foi atacada com socos, resultando em uma camisa rasgada. “Desde o início do ano, venho colaborando com o grêmio para organizar melhorias na escola. Não é a primeira vez que enfrentamos violência. A Secretaria de Educação, ciente do nosso direito de protestar, prefere ignorar os assédios a respeitar a luta estudantil”, afirmou Marissol.
O estudante Theo Oliveira, de 18 anos e secretário-geral da AMES-Rio, também foi alvo da agressão. “Estamos aqui por uma causa justa. Professores com histórico de assédio têm suas denúncias ignoradas pela SEEDUC-RJ. Somente fui defender a Marissol e acabei no chão”, contou ele em entrevista ao Jornal A Verdade.
Outro detido na ocorrência foi João Herbella, diretor do DCE UFRJ e do Centro Acadêmico da Escola de Comunicação. Ele estava presente para apoiar os manifestantes e seu “crime” foi registrar o que a polícia fez com os estudantes.
Reação da Secretaria de Educação e Contexto Histórico
A Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC-RJ) se manifestou por meio de uma nota, informando que a direção da escola havia solicitado a presença da Polícia Militar como uma medida de precaução para proteger todos os envolvidos. Entretanto, a AMES-Rio e a AERJ, entidades estudantis que estavam no local, questionam a necessidade de tal ação, considerando que os estudantes apenas exibiam cartazes e expressavam suas opiniões.
As organizações estudantis expressaram preocupação com a crescente militarização das escolas. “A verdade é que a presença da Polícia tem a finalidade de intimidar a luta estudantil. Nas últimas semanas, temos vivenciado episódios de brutalidade policial nas escolas, mesmo na Zona Sul. Em 2024, por exemplo, a PM também agiu no CE André Maurois, no Leblon, usando spray de pimenta em estudantes”, alertam as associações.
Marissol, refletindo sobre a situação, mencionou a memória de Edson Luís, estudante assassinado durante a ditadura militar. “Estamos revivendo a repressão que nossos predecessores enfrentaram. Convocamos todos os estudantes para uma grande manifestação amanhã, começando na Prefeitura do Rio às 14 horas, em homenagem a Edson Luís e contra o assédio e repressão nas escolas”, conclamou.

