Estudo Indica Apoio à Redução da Jornada de Trabalho
Uma recente pesquisa do Datafolha revelou que 71% dos brasileiros são a favor do fim da escala de trabalho 6×1, que atualmente prevê seis dias de trabalho seguidos por um dia de descanso. A crescente adesão a essa proposta, que visa a redução da jornada semanal para 40 horas, foi observada em comparação com um levantamento anterior realizado em dezembro de 2024, quando apenas 64% dos entrevistados apoiavam a mudança. O novo estudo, realizado entre os dias 3 e 5 de março, teve a participação de 2.004 pessoas acima de 16 anos em 137 municípios do Brasil, apresentando uma margem de erro de dois pontos percentuais e um nível de confiança de 95%.
A decisão sobre a reforma na jornada de trabalho é considerada prioritária pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente em um ano eleitoral, dado seu potencial impacto sobre a qualidade de vida da população. Em um pronunciamento durante o Dia Internacional da Mulher, Lula destacou que a mudança poderia favorecer as mulheres trabalhadoras, que frequentemente acumulam não apenas as obrigações profissionais, mas também tarefas domésticas.
Apoio Feminino à Mudança
O estudo também revelou que as mulheres são as que mais apoiam a alteração na jornada de trabalho. De acordo com a pesquisa, 77% delas se posicionaram favoravelmente à redução, enquanto somente 64% dos homens mostraram o mesmo apoio. A diferença entre os gêneros na aceitação da mudança é notável e reflete questões sociais que afetam particularmente as mulheres no mercado de trabalho. A margem de erro para este grupo específico é de três pontos percentuais.
O apoio à proposta ganhou força com as declarações de ministros do governo, como Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, e Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais. Na Câmara dos Deputados, uma audiência pública foi realizada na última terça-feira (10) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para discutir as possíveis alterações na jornada de trabalho. A aprovação da matéria neste colegiado representa um passo inicial para a tramitação do tema no Legislativo.
Perfil dos Entrevistados e Expectativas Econômicas
Entre os entrevistados, 53% trabalham até cinco dias por semana, enquanto 47% trabalham seis ou sete dias. Aqueles que atuam mais dias são menos propensos a apoiar a redução da jornada; 68% deste grupo se mostraram a favor da mudança, frente a 76% dos que já atuam em uma escala menor. Este fenômeno pode ser atribuído à presença maior de autônomos e empresários entre os que têm jornadas maiores, que tendem a ver o trabalho prolongado como uma oportunidade de aumento de renda.
De acordo com a pesquisa, 66% dos entrevistados trabalham até oito horas por dia, 28% entre oito e doze horas, e 5% ultrapassam as doze horas. Para 1% dos participantes, a questão não se aplica. Quando questionados sobre o impacto econômico da proposta, as opiniões se dividem. Quarenta e nove por cento acreditam que o fim da escala 6×1 terá efeitos positivos nas empresas, enquanto a mesma porcentagem considera que os impactos serão negativos.
Impactos na Qualidade de Vida dos Trabalhadores
Sobre os efeitos da mudança na economia, 50% dos entrevistados enxergam o fim da escala 6×1 como uma proposta benéfica ou ótima, enquanto 24% acreditam que terá um impacto negativo. No que diz respeito à qualidade de vida dos trabalhadores, 76% acreditam que a redução da jornada será positiva. Esse índice é ainda maior entre aqueles que trabalham até cinco dias por semana, alcançando 81%. No grupo que atua seis ou sete dias, esse número cai para 77%.

