Conexões Políticas e Investimentos em Letras Financeiras
Os líderes dos fundos de previdência estaduais que apresentam as maiores aplicações em letras financeiras do Banco Master têm vínculos anteriores com a política, conforme revelou uma investigação da Folha. Entre os casos destacados, está o de Jocildo Silva Lemos, presidente da Amprev, que se tornou alvo de uma operação da Polícia Federal recentemente, e Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, que foi preso em uma ação da PF na última terça-feira.
A Amprev, responsável pela gestão das aposentadorias do Amapá, alocou aproximadamente R$ 400 milhões em letras financeiras do Master, enquanto o Rioprevidência, que cuida do Rio de Janeiro, fez uma aplicação ainda maior, de R$ 970 milhões, considerando o período entre outubro de 2023 e dezembro de 2024. É importante ressaltar que as letras financeiras não são garantidas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que implica riscos financeiros consideráveis para as instituições caso o Master enfrente liquidações, uma vez que está sob investigação por supostas irregularidades.
Amprev e Suas Relações com a Política
Jocildo Silva Lemos assumiu a presidência da Amprev em janeiro de 2023 e, em um evento de premiação em 2024, agradeceu publicamente ao senador Davi Alcolumbre (União-AP) pelo convite para o cargo. Embora Alcolumbre tenha voltado a presidir o Senado em fevereiro de 2025, não está entre os investigados na operação da PF. Em busca de explicações, a Folha contatou a assessoria do senador, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
Jocildo também tem um histórico de atuação política, tendo sido tesoureiro da campanha de Alcolumbre e participando de eventos em que representou o senador no Amapá. Em publicações nas redes sociais da Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá (Liesap), onde ele é presidente, há registros de encontros entre eles, reforçando a proximidade entre Jocildo e Alcolumbre. Além disso, o conselheiro fiscal da Amprev, Alberto Alcolumbre, irmão do senador, também está associado à entidade, embora não seja alvo da operação policial.
A administração da Amprev, em nota, afirmou que se sente prejudicada pelo Banco Master e que tomou medidas legais para buscar ressarcimento, incluindo o bloqueio de pagamentos ao banco. A nota destaca que os investimentos realizados foram validados pelo Banco Central e representam 4,7% da carteira da instituição, tendo a Amprev apresentado um crescimento de 41% em seu patrimônio entre 2023 e 2025, garantindo assim o pagamento de aposentadorias até 2059.
Rioprevidência e a Indicação Polêmica de Deivis Marcon
Por outro lado, o ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, assumiu a posição em julho de 2023 e deixou o cargo em janeiro de 2026. Informações obtidas pela Folha indicam que sua indicação para o cargo teria passado por influências políticas do União Brasil, partido que integra a base do governo do estado, assim como Alcolumbre no Amapá. A defesa de Deivis refuta essa versão, afirmando que sua nomeação se deve a qualidades técnicas e não a questões políticas.
Antes de sua passagem pelo Rioprevidência, Deivis ocupou um cargo na Secretaria de Estado de Transportes, embora essa informação não conste mais em seu currículo disponível na versão atual do site do Rioprevidência. Durante sua gestão, ele comentou que promoveu um “ciclo virtuoso de gestão” e se declarou à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos sobre sua conduta. A oposição na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) já começou a mobilizar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as nomeações e os investimentos realizados com o Banco Master.
Além disso, a defesa de Deivis ressalta sua experiência na área de Regimes Próprios de Previdência e sua atuação anterior na Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. A Folha ainda tenta obter uma resposta do governo do Rio de Janeiro sobre as circunstâncias da indicação de Deivis para o Rioprevidência, mas, até o fechamento deste artigo, não houve retorno.

