Tensões e Investigações Acentuam Crise Política
A recente escalada das investigações relacionadas ao caso Master tem gerado um clima de incerteza nas relações entre o governo de Ibaneis Rocha e a Assembleia Legislativa. A operação desencadeada nesta quinta-feira revelou um esquema de corrupção que desviou estimados R$ 50 milhões da Secretaria de Educação, evidenciando a fragilidade da governança local. Esse montante, segundo as autoridades, estaria vinculado a verbas oriundas de emendas parlamentares, levando o deputado Hermeto a ser um dos principais alvos das investigações.
Em resposta, Hermeto se defendeu, alegando não ter qualquer ligação com os contratos que estão sob suspeita, os quais seriam de responsabilidade exclusiva do Poder Executivo. O deputado declarou que os recursos destinados ao seu mandato foram priorizados para a reforma de escolas públicas e não para locação de imóveis. “Estou à disposição da Justiça para esclarecer qualquer fato. Tenho a consciência tranquila”, afirmou em comunicado nas redes sociais.
Por sua vez, Ibaneis Rocha, ao ser questionado sobre o caso, se distanciou das acusações, reiterando que cada um deve responder pelos seus problemas. “Não tenho informações sobre o que ocorreu, e se os envolvidos desejarem apresentar algo, não tenho interesse. Não citem meu nome”, disse o governador, enfatizando a separação entre suas responsabilidades e os eventos em questão.
Recusa de Comparecimento e Abertura de CPI
Em meio a esse cenário conturbado, Ibaneis também se recusou a comparecer à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado para prestar esclarecimentos sobre a relação do Banco de Brasília (BRB) com o Banco Master. Em uma carta enviada ao colegiado, o governador alegou desconhecimento técnico sobre o sistema financeiro, justificando sua ausência nas negociações entre as duas instituições.
Antes dessa recusa, deputados do PL protocolaram um pedido de abertura de uma CPI, motivados pela falta de respostas do governo em relação ao caso Master. Essa ação marca um rompimento significativo entre o partido e o governador, que já contava com o apoio da legenda em sua administração.
O PL argumentou que a decisão de iniciar uma CPI se deu após a divulgação de uma reportagem que revelava que o escritório de advocacia de Ibaneis firmou um contrato de R$ 38 milhões com um fundo ligado à Reag, que está sob investigação da Polícia Federal. O objetivo da CPI é analisar a regularidade das operações entre o BRB e o Banco Master, abrangendo o período de janeiro de 2024 a março de 2026.
Rompe-se a Aliança Política
A aprovação do pedido de CPI foi unânime em uma reunião que contou com a presença da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e da deputada Bia Kicis, ambas do PL. Elas estão articulando uma composição para o Senado, onde a vice-governadora Celina Leão é a principal candidata ao governo. “Quando surgem indícios de desvio de recursos, temos a obrigação de agir. A CPI é um instrumento de fiscalização, e essa se tornou inevitável”, afirmou Kicis.
A decisão do PL também reflete a estratégia de Michelle, que apoia a candidatura de Leão. O impasse estava na possibilidade de Ibaneis concorrer ao Senado, conforme revelações de anotações feitas pelo senador Flávio Bolsonaro durante reuniões do partido.
Além disso, a base de apoio local de Ibaneis também se fragmentou, com deputados como Manzoni e Cardoso rompendo laços com o governador. Ambos votaram contra uma proposta de socorro ao BRB, resultando na exoneração de servidores indicados por eles. Outro deputado, Morro da Cruz, mesmo assinando a CPI, declarou que permanecerá na base governista, destacando sua oposição a práticas escusas.
Contexto Financeiro e Investigações
Em setembro do ano passado, o Banco Central interrompeu uma negociação que visava a aquisição de 58,04% do capital social do Banco Master pelo BRB, o que levantou sérias preocupações sobre a saúde financeira da instituição envolvida. O requerimento da CPI destaca a necessidade de uma análise rigorosa das decisões do BRB, considerando o contexto de instabilidade do Banco Master.
Além disso, Ibaneis sancionou um projeto que visa estabelecer alternativas para fortalecer o capital do BRB, em meio ao rombo nas contas após a aquisição de produtos financeiros fraudulentos, que totalizam R$ 12,2 bilhões. A população do Distrito Federal, segundo os deputados, tem o direito de saber sobre a utilização dos recursos e sobre as garantias concedidas, que podem estar em desacordo com os princípios de gestão responsável.

