O Crescimento da Indústria Extrativa no Brasil
Após um crescimento expressivo de quase 9% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, a indústria extrativa brasileira deve continuar sua trajetória positiva em 2026. De acordo com projeções do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), o setor deve registrar uma expansão de 9,6% neste ano.
Esse desempenho é em grande parte impulsionado pelos investimentos realizados há mais de cinco anos, conforme explica o economista Walter de Vitto, da Tendências Consultoria. Apesar das dificuldades enfrentadas durante a pandemia, que resultaram na queda da cotação do barril em 2020, os preços se recuperaram significativamente em 2022, impulsionados pela guerra na Ucrânia e pela confirmação de novos projetos de plataformas.
No último ano, três novas plataformas iniciaram suas operações – duas pertencentes à Petrobras e uma da Equinor –, o que elevou a produção nacional em 625 mil barris diários. Além disso, duas outras plataformas, que juntas representam mais 280 mil barris por dia, começaram a produzir no final de 2024.
Fatores Impulsionadores da Produção de Petróleo
Embora 2024 tenha sofrido com interrupções nas operações para manutenção, o resultado foi uma base de comparação fraca, permitindo um crescimento expressivo da produção em 2025, que alcançou 11,4% até outubro. A tendência é que este crescimento continue em 2026.
Surpreendentemente, o desempenho da indústria petroleira brasileira se destaca mesmo com a demanda global crescendo a passos lentos, na ordem de 1,2%. “Estamos diante de uma bolha de produção”, observa Vitto, ressaltando que a competitividade da produção brasileira é um fator fundamental nesse cenário. A exploração de petróleo no Brasil se torna viável até mesmo com o preço do barril em torno de US$ 30, enquanto a cotação atual gira em torno de US$ 65, e a média de viabilidade mundial é de US$ 60.
“O Brasil se mostra competitivo e rentável, ao contrário de países como o Canadá, que enfrentam dificuldades com os preços atuais do petróleo”, completa o economista.
Perspectivas para o Futuro da Mineração
Além do petróleo, a mineração também deve contribuir para o crescimento do PIB da indústria extrativa em 2026, embora em uma escala menor. O minério de ferro, principal produto exportado pelo Brasil, especialmente para a China, deve ver um aumento de 4,2% em sua produção em 2026, após uma alta de 3% no ano anterior, segundo dados da Tendências.
Ainda que a fabricação de aço na China esteja em declínio, o minério brasileiro se mantém competitivo devido à sua alta qualidade. A economista Yasmin Riveli, da Tendências, explica que “o minério de ferro do Brasil é superior ao australiano, o que significa que, ao usar minérios de melhor qualidade, menos carvão é necessário na produção de aço, tornando-o mais atraente, especialmente em um cenário onde a China busca reduzir o impacto ambiental.”
Desafios à Vista no Setor Mineral
Contudo, Riveli alerta que, a partir de 2027, a indústria pode começar a enfrentar novos desafios, especialmente com o aumento da produção de minério de ferro na Guiné, o que pode aumentar a concorrência e pressionar os preços para baixo.
Em síntese, tanto a indústria extrativa de petróleo quanto a de minério de ferro têm perspectivas promissoras nos próximos anos, destacando-se como pilares fundamentais para o crescimento econômico do Brasil, mesmo diante de um cenário global desafiador.

