Estratégia da Campanha de Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em processo de formação do núcleo central de sua campanha à reeleição, conforme apurado pelo Valor Econômico. Fontes ligadas ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao governo confirmaram que a coordenação será liderada por Edinho Silva, atual presidente do PT, além dos ministros Sidônio Palmeira, que ocupa a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), e Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência. A escolha de Edinho para o cargo de coordenador-geral da campanha é uma tradição dentro do partido.
Informações de dentro do Palácio do Planalto indicam que Sidônio deve se afastar de sua função para retomar o papel de marqueteiro em julho, coincidindo com o início oficial da campanha de acordo com o calendário eleitoral. Até lá, o comitê pré-campanha está sendo conduzido pelo publicitário Raul Rabelo, um aliado de longa data de Sidônio, que já atuou na campanha de Fernando Haddad em 2018.
Coordenação e Normas Eleitorais
Embora a função de coordenação não seja um cargo formal, o ministro Boulos não planeja se afastar de seu ministério. De acordo com um de seus assistentes, ele seguirá as normas eleitorais, que proíbem servidores públicos de fazer campanha durante o horário de expediente, exatamente como se aplica a Lula e outros governadores buscando reeleição. Em entrevista, Edinho Silva afirmou que ainda não há definições claras sobre os papéis dentro da campanha, enfatizando que sua prioridade é organizar os palanques estaduais.
Uma estratégia ressaltada pela equipe é que o comitê central da campanha será instalado em Brasília. Essa decisão visa facilitar o deslocamento do presidente para reuniões e gravações de vídeos, algo que foi feito com sucesso em suas campanhas anteriores de reeleição, tanto em 2006 quanto na de Dilma Rousseff em 2014.
Palanque em São Paulo em Foco
Fernando Haddad, atual ministro da Educação e figura cotada para o governo de São Paulo ou uma vaga no Senado, expressou seu desejo de contribuir com a campanha sem concorrer a cargos eletivos. Caso se confirme, ele poderia assumir a coordenação do programa de governo, função que foi desempenhada em 2022 por Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.
No entanto, lideranças do PT indicam que Lula pretende utilizar sua ausência do Brasil para persuadir Haddad a se candidatar ao governo paulista. O presidente enfatiza a importância de contar com Haddad para garantir um palanque forte no maior colégio eleitoral do país. Lula também deixou claro que não aceitaria uma candidatura de Haddad ao Senado, posicionando outros nomes para essa disputa, como o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e as ministras Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (Rede).
Possíveis Coordenadores no Nordeste
Por outro lado, nomes como Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento Social, e Camilo Santana, da Educação, estão sendo considerados para liderar a campanha no Nordeste. Dias comentou que ainda não há definições sobre a coordenação e que esses detalhes serão discutidos após 4 de abril, data que marca o fim do prazo para desincompatibilização de quem deseja concorrer nas eleições de outubro.
Ele também afirmou que continuará à frente do ministério, mas se disponível, colaborará com a campanha. Em 2022, ele foi coordenador no Nordeste e sublinhou que haverá uma coordenação política envolvendo candidatos e presidentes dos partidos aliados. Camilo, por sua vez, confirmou à assessoria que deixará o Ministério da Educação no final de março, mas não especificou se assumirá uma função como coordenador regional.

