MDB Rompe com Governo de Jorginho Mello após Troca de Vice
Na noite desta segunda-feira, o diretório do MDB de Santa Catarina anunciou sua saída da administração do governador Jorginho Mello (PL). A decisão foi tomada após o governador desconsiderar um acordo prévio ao escolher o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como pré-candidato a vice-governador em sua chapa de reeleição. O deputado federal licenciado Carlos Chiodini, presidente do MDB catarinense e forte candidato à vice, foi o primeiro a renunciar ao cargo de chefe da Secretaria Estadual de Agricultura em decorrência da mudança de planos.
O anúncio da nova candidatura de Jorginho, feito na última quinta-feira, levou o MDB a convocar uma reunião em um hotel de Florianópolis para discutir sua permanência no governo, conforme antecipado pelo jornal O Globo. Chiodini, em sua participação, destacou que o MDB busca agora uma autonomia política para desenvolver um ‘projeto próprio’ para as eleições deste ano.
Em nota oficial, o MDB comunicou que iniciará conversas com outras siglas que compartilhem os mesmos valores e princípios da legenda. Interlocutores sugerem que essa aliança pode incluir o PSD, União Brasil e Progressistas (PP). Se concretizada, essa união poderia girar em torno da candidatura de João Rodrigues (PSD), prefeito de Chapecó, que se posiciona como um representante da direita no estado.
Além de anunciar sua saída do governo, o MDB orientou seus filiados a se desvincularem dos cargos que ocupam na gestão de Jorginho. Atualmente, a legenda controla quatro pastas: Agricultura, Meio Ambiente, Infraestrutura e a Federação do Esporte (Fesporte), além de ter Cleiton Fossa, Jerry Comper e Jeferson Ramos Batista liderando essas áreas, respectivamente.
Chiodini reafirmou que, mesmo se desvinculando da administração estadual, o MDB continuará a apoiar, dentro do Poder Legislativo, todos os projetos que beneficiem o estado e a população catarinense. O partido prometeu uma postura responsável e institucional durante esse processo de transição.
A decisão do MDB vem na esteira de um acordo quebrado. Em outubro do ano passado, o governador Jorginho havia prometido que sua chapa seria formada em conjunto com o MDB. A escolha repentina de Adriano Silva surpreendeu muitos dos representantes estaduais da legenda.
“A vice será do MDB, já está tudo encaminhado. Não tem muito estresse. É só esperar um pouquinho. Vamos cuidar do estado de Santa Catarina”, havia afirmado o governador anteriormente.
Em fevereiro de 2025, no entanto, a aproximação com o MDB gerou desconforto entre aliados bolsonaristas de Jorginho. A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) questionou, na ocasião, se o critério para a escolha do vice estaria ligado a um suposto apoio ao governo Lula.
Relatos indicam que, ao longo do ano, a relação da administração com o MDB enfrentou resistência dentro do PL. Ao mesmo tempo, o desempenho eleitoral de Adriano Silva chamou a atenção, especialmente após sua reeleição em 2024, quando conquistou 78% dos votos no primeiro turno em Joinville, a maior cidade do estado. Com isso, ele começou a receber convites de diversos partidos, incluindo o de Jorginho, o qual foi aceito oficialmente na noite da última quinta-feira. O anúncio recebeu uma recepção positiva entre a ala mais alinhada ao bolsonarismo.
“Achei uma baita coligação para ganhar no primeiro turno, porque une a direita e estrategicamente impede que um novo movimento de direita surja em Santa Catarina”, comentou Zanatta em um vídeo publicado logo após o anúncio. “Fui contra alianças com partidos que aqui em Brasília apoiam o governo Lula e lá em Santa Catarina querem estar no governo. Ou está com o Lula, ou está com a gente”, completou.

