Entendendo a Situação Atual da Mpox no Brasil
Até o presente momento, não foram registrados óbitos relacionados à mpox no Brasil, e a maioria dos casos se apresenta como quadros leves ou moderados. Para comparação, em 2025, o país contabilizou 1.079 casos da doença, com duas mortes confirmadas.
Recentemente, a situação da mpox em Porto Alegre foi abordada pelo Ministério da Saúde, que está colaborando com as autoridades locais para intensificar as medidas de vigilância. Entre as ações implementadas, destacam-se a busca ativa por casos e a vacinação de contatos diretos.
No estado de São Paulo, dados do painel de monitoramento do Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (Nies) apontam 44 casos confirmados, três a mais do que o número informado pelo Ministério. No total, o estado registrou 171 notificações relacionadas à doença neste ano.
Desses registros, 62 pessoas ainda aguardam confirmação, enquanto 53 foram descartadas, 11 não possuem informações na plataforma e um caso é considerado provável. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo assegurou que está monitorando constantemente a situação epidemiológica e que as unidades de saúde estão seguindo protocolos técnicos rigorosos para vigilância, testagem e acompanhamento, visando uma resposta rápida e eficaz a novos casos.
Vigilância e Preparação do Sistema Único de Saúde (SUS)
O Ministério da Saúde reitera a importância da vigilância ativa e uma resposta estruturada em relação à mpox. O SUS está preparado para identificar precocemente a doença, realizar o manejo clínico adequado e acompanhar os pacientes de forma eficaz.
As equipes de vigilância estão ativas no monitoramento e investigação de casos, incluindo o rastreamento de contatos por até 14 dias. Essa medida é fundamental para interromper possíveis cadeias de transmissão. A orientação é clara: indivíduos que apresentem sintomas compatíveis com mpox, como erupções cutâneas, febre e linfonodos inchados, devem buscar imediatamente uma unidade de saúde para avaliação clínica e relatar qualquer contato próximo com casos suspeitos ou confirmados. O isolamento é recomendado, sempre que possível, até a avaliação médica, além da adoção de boas práticas de higiene, como a lavagem frequente das mãos, para minimizar o risco de transmissão.
Características e Transmissão da Mpox
A mpox é uma doença viral pertencente à mesma família da varíola, que foi erradicada em 1980. Apesar de ser menos comum, costuma apresentar quadros mais brandos. Existem duas cepas principais: a primeira, originária da África Central (Clado do Congo) e a segunda, da África Ocidental (Clado da Nigéria). Em 2022, essas cepas foram renomeadas para Clado 1 e Clado 2.
A cepa 2, que se mostrou mais leve, foi a responsável pela propagação global da doença no ano passado, especialmente após a identificação de uma nova variante, a 2b, que se difundiu principalmente por meio de relações sexuais.
Conforme informado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a mpox é transmitida pelo contato físico com indivíduos contaminados, materiais infectados ou animais portadores do vírus. A inovação na propagação do vírus, que ocorreu em 2022, foi a transmissão via relações sexuais, o que aumentou a sua disseminação. Recentemente, foi confirmado que o Clado 1 também consegue se espalhar pelo sexo.
Sintomas e Prevenção
Os sintomas iniciais da mpox incluem febre, dores musculares, cansaço e inchaço dos linfonodos. Uma característica marcante da doença é a presença de lesões cutâneas (erupções), que geralmente aparecem no rosto e podem se espalhar para as mãos e pés. Contudo, em casos de transmissão sexual, as lesões tendem a surgir nas genitálias.
Os sinais da doença podem se manifestar entre 6 a 13 dias após a infecção, podendo demorar até três semanas para aparecer. Em geral, os casos leves têm o potencial de desaparecer espontaneamente após duas a três semanas.
A prevenção da mpox gira em torno de práticas de higiene rigorosas, como a lavagem frequente das mãos e a evitação de contato com pessoas infectadas. Em relação à vacinação, o Brasil disponibiliza a vacina para maiores de 18 anos que vivem com HIV, contanto que apresentem contagens de células T CD4 inferiores a 200 nos últimos seis meses.

