A Revolução Gastronômica em Copacabana
Idealizada pelo comerciante João Barreto, a Orla Rio é a concessionária responsável pela gestão de 309 quiosques e 27 postos de salvamento ao longo de 34 quilômetros de praias. Este projeto não apenas enriqueceu a experiência à beira-mar, mas também se tornou uma expressão da cultura carioca. Em 2023, a Orla Rio foi oficialmente reconhecida como um equipamento turístico, marcando um novo capítulo em sua história.
Começando modestamente na década de 70, João Barreto vendia cachorro-quente, água de coco e milho verde com um simples carrinho. Desde então, a Orla Rio evoluiu para um modelo de franquia inovador, sendo um dos primeiros do Brasil entre as décadas de 80 e 90. Sob a liderança de João Marcello Barreto, filho do idealizador, a Orla Rio busca constantemente renovar suas operações. “Meu pai chegou a vender até 10 mil caixas de Coca-Cola por dia, em embalagem de vidro retornável”, orgulha-se João Marcello.
Uma Nova Era de Inovação
João Marcello ingressou na Orla Rio em 1999, trazendo uma nova visão ao negócio após vender sua empresa de abrigos para ônibus. Ele enfrentou diversos desafios, desde a criação de cooperativas para os quiosques até processos licitatórios, sempre mantendo o foco na vocação familiar. Entre 2004 e 2005, liderou a transformação dos quiosques, que passaram a contar com estrutura adequada, incluindo iluminação, água encanada e banheiros a cada 500 metros. “A antiga imagem de comércio ambulante estava sendo deixada para trás, com a formalização da contratação de funcionários e a constituição de sociedades”, explica.
A Lei da Música foi um marco importante nessa transição, garantindo o direito de operar com música ao vivo, algo impensável até 2017. “Antes, isso era inimaginável na orla”, recorda João Marcello.
Uma Conquista em Etapas
A concessão da Prefeitura do Rio de Janeiro inicialmente permitia apenas um quiosque para venda de alimentos. A jornada de João Marcello, que levou 16 anos para expandir sua concessão, envolveu negociações complexas e a reintegração de espaços. Ele também assumiu a gestão de postos de salvamento que, embora não fizessem parte da concessão original, eram necessários para o bem-estar da população. “A Prefeitura exigiu que assumíssemos esses postos, que representavam um prejuízo significativo. Em contrapartida, conseguimos incluir terminais do Banco 24 horas”, explica.
Cultura Coletiva e Gestão Compartilhada
Desde 1992, a Orla Rio se destaca pela visão coletiva que a define. Após a pandemia, essa abordagem se tornou ainda mais crucial. Segundo João Marcello, a gestão incentivou a cultura de rede entre os operadores dos quiosques. “Buscamos criar um espírito de coletividade, pois as notícias, boas ou ruins, afetam a todos. Por isso, promovemos convenções e encontros anuais de planejamento”, comenta. Um desses encontros contou com a presença do vice-presidente da The Walt Disney Company, que ficou 15 dias observando as operações e, posteriormente, compartilhou insights valiosos.
Prêmio Sabores da Orla: Valorizando a Gastronomia Local
A Orla Rio se localiza em um dos principais destinos turísticos do Brasil, atuando como embaixadora informal da cidade para visitantes locais e internacionais. Para valorizar essa experiência, João Marcello instituiu, há 8 anos, o prêmio ‘Sabores da Orla’, com o intuito de destacar os melhores lugares para refeições à beira-mar. A última edição do prêmio, realizada em julho do ano passado, contou com a participação de mais de 160 quiosques e se tornou um evento oficial do turismo carioca.
A Rota Gastronômica: Experiências que Encantam
Outro projeto inovador da Orla Rio é a Rota Gastronômica, que combina gastronomia e histórias locais, com a presença de guias turísticos. “Apresentamos essa proposta durante a Feira Internacional de Turismo em Buenos Aires, em setembro de 2025”, revela Ingrid Lagrotta, diretora de marketing. A ideia é oferecer uma experiência completa, onde degustações de pratos são acompanhadas por narrações sobre a rica história do Rio de Janeiro.

