Deputado do PL em Palanque com Flávio Bolsonaro
No cenário político gaúcho, após o respaldo do PT à candidatura de Juliana Brizola, o deputado estadual do PL, Zucco, lançou sua pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Sul. Durante um evento em que compartilhou o palanque com Flávio Bolsonaro, o deputado não hesitou em criticar as movimentações do governador Eduardo Leite, que, segundo ele, estaria alinhado a um “centrão oportunista”. Zucco argumentou ainda que Leite muda de lado conforme seus interesses políticos, indo de encontros com o ex-presidente Jair Bolsonaro a conversas com Luiz Inácio Lula da Silva, dependendo de seu “projeto de conveniência”.
Eduardo Leite, em uma decisão recente, decidiu permanecer à frente do governo até o término de seu mandato, após não ser escolhido pelo PSD como o candidato da legenda à Presidência. A vaga foi ocupada pelo ex-governador goiano Ronaldo Caiado. Com essa mudança estratégica, a situação se complica para o candidato Gabriel de Souza, que, conforme as pesquisas, está em desvantagem. Sem a máquina pública ao seu dispor, Souza perdeu a chance de fortalecer sua campanha até as eleições, o que poderia ter ampliado sua presença no estado e facilitado a construção de alianças.
Flávio Bolsonaro e a Promessa de um Novo Brasil
No evento, Flávio Bolsonaro aproveitou a oportunidade para reafirmar sua intenção de “resgatar o Brasil” caso seja eleito. Essa declaração se tornou um lema de sua pré-campanha. Além disso, o senador manifestou apoio a aqueles condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, afirmando que, se assumir a presidência, subirá a rampa do Planalto ao lado de seu pai, que atualmente cumpre pena por tentativa de golpe de Estado. “Vamos mostrar qual o caminho e a alternativa que o Brasil tem, que é o oposto do que o governo atual nos apresenta. O PT, em breve, será uma memória irrelevante”, declarou.
PT sem Candidatura Própria e Alianças em Foco
Neste contexto, pela primeira vez, o PT abrirá mão de lançar um candidato próprio ao governo do Rio Grande do Sul. A direção nacional do partido decidiu apoiar a candidatura de Juliana Brizola, do PDT, em detrimento de Edegar Pretto (PT), que havia sido escolhido anteriormente com o aval de partidos aliados como PSOL, PCdoB, PV, Rede e PSB.
A intensificação do racha interno no PT se deu na semana passada, quando figuras emblemáticas do partido no estado, como os ex-governadores Tarso Genro e Olívio Dutra, manifestaram apoio a Edegar, rejeitando a intervenção da direção nacional. O PSOL chegou a ameaçar lançar uma candidatura própria, alegando que Juliana não havia discutido adequadamente seus projetos com a base.
Mudanças nas Pré-Candidaturas
Com a pressão das pesquisas, Juliana Brizola conseguiu a vitória na disputa interna, levando Edegar a desistir de sua pré-candidatura na última quinta-feira. Ele foi indicado para liderar a construção de um “projeto unitário” ao redor da sua chapa, que agora contará com a ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PSOL) e o deputado federal Paulo Pimenta (PT) na corrida ao Senado.
Em uma entrevista ao GLOBO, Tarso Genro expressou sua insatisfação com a lentidão do presidente Lula em definir os rumos do PT no estado. Recentemente, Lula recebeu Juliana no Palácio do Planalto e, sob a liderança de Edinho Silva, o partido começou a sinalizar que um palanque duplo em solo gaúcho poderia prejudicar a campanha de reeleição do presidente.
Desafios para Leite e Conjuntura Eleitoral
Entre os governadores do PSD que almejam a presidência, Eduardo Leite foi o único a enfrentar um segundo turno em sua reeleição. Enquanto seus colegas, como Ratinho Junior, no Paraná, e Ronaldo Caiado, em Goiás, conquistaram margens amplas de votos, Leite precisou superar uma derrota no primeiro turno para Onyx Lorenzoni, que obteve 37,5% contra 26,8% do governador.
No segundo turno, Leite venceu com 57,1% dos votos. Entretanto, uma pesquisa realizada pela Genial/Quaest em meados de 2025 revelou que 54% dos eleitores gaúchos acreditam que o governador não “mereceria” eleger um sucessor. Outro levantamento, realizado em agosto, reforçou esse cenário adverso: com apenas 5% das intenções de voto, Gabriel de Souza estava em desvantagem em relação a Zucco (20%) e Brizola (21%), e empatado dentro da margem de erro com Edegar Pretto (11%).

