Desapropriação abre caminho para restauração do Teatro Leopoldo Fróes
A Prefeitura de Niterói formalizou a desapropriação do imóvel que abriga o Teatro Leopoldo Fróes, localizado na Praça da República, no Centro da cidade. Esse decreto, publicado em 22 de junho, marca a primeira etapa para viabilizar a recuperação e a reabertura do teatro, que permanece fechado desde 1991.
Com uma área de 895 metros quadrados, o imóvel conhecido como edifício Dom João da Matta será transformado em um centro cultural dedicado à produção artística local, conforme informou o prefeito Rodrigo Neves (PDT). A proposta é que o teatro volte a ser um espaço para apresentações teatrais e manifestações culturais diversas, fortalecendo a cena artística de Niterói.
“A recuperação do Teatro Leopoldo Fróes é um projeto que vem sendo tratado com dedicação e planejamento. O teatro é parte da memória afetiva da cidade e representa um desejo antigo da classe artística. Queremos que ele acolha os grupos e coletivos teatrais niteroienses, mantendo viva sua história e seu papel cultural”, afirmou o prefeito.
Histórico do Teatro Leopoldo Fróes e sua relevância cultural
Inaugurado em 1973 como substituto do antigo Teatro Alvorada, o Leopoldo Fróes tornou-se um importante centro de experimentação artística em Niterói. Durante as décadas de 1970 e 1980, em pleno regime militar, o teatro abrigou movimentos culturais e grupos que ajudaram a consolidar a cena cultural da cidade.
Artistas renomados como Sidney Magal, Elza Soares, Leci Brandão, Zizi Possi, Elba Ramalho e Pepeu Gomes passaram pelo palco do Leopoldo Fróes. O teatro também foi espaço para talentos locais, incluindo Zélia Duncan, Arthur Maia, Dalto, Byafra e Marcos Sabino. Além disso, sediou o ciclo de leituras dramatizadas promovido pela Associação dos Trabalhadores em Artes Cênicas de Niterói (ATACEN).
Movimentos culturais e mobilização em defesa do teatro
O Leopoldo Fróes também foi palco de eventos que impulsionaram a produção cultural de Niterói, especialmente após a fusão dos estados do Rio de Janeiro e Guanabara em 1975. Entre as iniciativas destacam-se “Niterói vai Sumir”, “Niterói vai Assumir” e “Araribroadway”, além dos grupos Grito e Papel Crepon.
O fechamento do teatro em 1991 provocou a mobilização de artistas e produtores culturais, que criaram o movimento SOS Leopoldo Fróes para tentar evitar o encerramento das atividades. A campanha incluiu um abraço coletivo ao prédio, um show na Praça da República e um abaixo-assinado, mas não impediu o fechamento do espaço.
Agora, com a desapropriação oficializada, o caminho está aberto para que o Teatro Leopoldo Fróes retome seu papel como polo cultural de Niterói, oferecendo ao público uma programação que valorize a diversidade e a produção artística local.

