Conflito e Proibição nas Gravações
A equipe de filmagem da série “Aeroporto – Área Restrita”, exibida pela Discovery e disponível na HBO Max, enfrentou uma inesperada interrupção em suas atividades no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Agentes da Polícia Federal (PF) interceptaram a equipe, impossibilitando as gravações que estavam agendadas para este sábado, 31. A PF emitiu um ofício na sexta-feira, dia 30, direcionado à concessionária RioGaleão, comunicando a proibição.
Segundo fontes próximas ao caso, a justificativa para essa ação se deve a uma “ciumeira institucional”, com a ordem de impedir as filmagens supostamente partindo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Em resposta a questionamentos, Rodrigues afirmou que “o ofício é autoexplicativo”, mas não elaborou sobre os motivos específicos da decisão.
Nota da Polícia Federal e Repercussão
Após a divulgação da reportagem pela Coluna do Estadão, a PF publicou uma nota esclarecendo que a restrição se dá em função do cumprimento rigoroso das normas constitucionais, legais e regulamentares que governam a segurança da aviação civil no Brasil. Na nota, a PF enfatiza que “não há qualquer disputa institucional no episódio”, buscando desvirtuar as alegações de conflito entre as entidades envolvidas.
Cabral, presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal, comentou sobre a situação, descrevendo um clima de hostilidade e mencionou que a série, por conta de sua popularidade, desencadeou a referida “ciumeira institucional”, que ultrapassou a competência da Receita na hora de bloquear credenciais de acesso. Ele ponderou: “A série é muito conhecida e querida, e foi exatamente esse sucesso que criou uma ciumeira institucional na PF”.
Clima Hostil e Ação Judicial
Servidores relataram um ambiente tenso no aeroporto na sexta-feira, com a presença de policiais armados nas áreas de inspeção de bagagens, gerando desconforto entre passageiros e funcionários. Essa situação levantou preocupações sobre a segurança e a liberdade de imprensa, temas centrais à discussão atual.
A Moonshot Pictures, produtora responsável pela série, já acionou a Justiça argumentando a violação da liberdade de imprensa, mas ainda não obteve autorização para retornar às áreas restringidas do Galeão. O caso suscita debates sobre os limites das normas de segurança e o direito à informação, especialmente em um contexto onde a transparência é essencial.
Posicionamento da PF e Regras de Segurança
A PF reiterou que sua atuação no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão, no que tange ao bloqueio de acessos a Áreas Restritas de Segurança (ARS), está fundamentada no cumprimento das normas que regem a segurança da aviação civil. Além disso, a Polícia Federal destacou que não mantém qualquer parceria com o programa televisivo há vários anos, adotando uma posição consistente de indeferimento em solicitações semelhantes.
Essas diretrizes são baseadas em um entendimento consolidado de que a presença constante de equipes de filmagem em áreas operacionais restritas contraria os princípios de preservação da intimidade, da imagem e da presunção de inocência dos cidadãos abordados. Também se busca proteger métodos e procedimentos utilizados na repressão a crimes, especialmente em um ambiente tão sensível como o aeroportuário.

