PSD: Uma Força Emergente no Cenário Político Brasileiro
O Partido Social Democrático (PSD) surgiu em 2011 e, nas eleições municipais de 2012, consolidou-se como a quarta maior força política do Brasil. Sob a liderança de Gilberto Kassab, a legenda já se posicionou como uma alternativa ao cenário polarizado que tem dominado a política nacional.
O PSD, que foi o primeiro partido a declarar apoio à reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff, também apoiou o impeachment dela em 2016. Essa trajetória o levou a integrar os governos de Dilma, Michel Temer e Jair Bolsonaro, e atualmente, está presente na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com três ministérios na Esplanada. Além disso, Kassab ocupa o cargo de secretário de governo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo.
A partir de 2018, o PSD se posicionou como uma alternativa viável para romper a polarização entre a direita e a esquerda, representadas pelo PL e pelo PT. Embora a ideia de uma “terceira via” não tenha avançado significativamente nas últimas eleições, o partido possui um capital político considerável para desafiar as correntes predominantes.
Resultados Eleitorais e Aspirantes Presidenciais
Nas eleições municipais de 2024, o PSD emergiu como o partido com o maior número de prefeitos, contabilizando 891 eleitos. Atualmente, a legenda também detém o maior número de governadores do Brasil, incluindo Ratinho Júnior (PR), Raquel Lyra (PE), Fábio Mitidieri (SE), Eduardo Leite (RS), Ronaldo Caiado (GO) e Marcos Rocha (RO).
Ratinho, Leite e Caiado são considerados pré-candidatos à Presidência da República, com a expectativa de que um deles seja anunciado até o dia 25 de março. A tendência atual é que Ratinho Júnior seja o escolhido para enfrentar a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, cujas intenções de voto estão empatadas em 41%, segundo uma pesquisa da Quaest divulgada em 11 de outubro.
Fortalecimento no Legislativo
No que diz respeito à representação legislativa, o PSD tem demonstrado um crescimento significativo. O partido elegeu 35 deputados em 2018 e 42 em 2022, contando agora com 47 parlamentares na Câmara. A bancada do PSD tem direito à indicação de um ministro, atualmente ocupado pelo deputado André de Paula (PSD-PE), responsável pela pasta da Pesca e Aquicultura.
No Senado, o partido começou a legislatura de 2023 como a maior legenda, com 15 membros, e atualmente ocupa a segunda maior bancada, com 14 senadores, apenas atrás do PL.
Um Novo Centro Político
O PSD tem ocupado o espaço anteriormente exercido pelo MDB, agindo como um partido que transita entre diversas correntes ideológicas. Os diretórios estaduais têm autonomia para formar alianças visando maximizar a eleição de candidatos, independentemente da afiliação ideológica.
Esse pragmatismo permitiu que o partido apoiasse Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, em sua candidatura ao governo do estado, e que desse suporte à chapa “puro-sangue” do PT na Bahia, que tem o governador Jerônimo Rodrigues como cabeça de chapa.
Em Minas Gerais, o partido optou por abrir mão da candidatura do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para apoiar o vice-governador Matheus Simões na corrida pela sucessão de Romeu Zema (Novo).
Pragmatismo como Estratégia
A estratégia pragmática do PSD visa aumentar sua representação nas câmaras e senados, garantindo um maior poder de negociação na próxima legislatura, seja governando com seu próprio candidato ou colaborando com outros partidos. Com o enfraquecimento de legendas tradicionais do centro político, como MDB e PSDB, Kassab identificou a oportunidade de ocupar esse espaço no centro político raiz, mantendo um trânsito tanto na centro-direita quanto na centro-esquerda.
“O vácuo político que o PSD preencheu no centro é fruto da habilidade de Gilberto Kassab em realizar mapeamentos regionais, atraindo quadros insatisfeitos de outras legendas, como a federação do União Brasil e o PP”, explica o cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UNB).

