Rio de Janeiro registra crescimento nas exportações e mira novos mercados
O Rio de Janeiro já atingiu US$ 45 bilhões em exportações em 2026, aproximando-se do recorde de US$ 49 bilhões registrado em 2025. Esse dado foi divulgado durante o evento Conexões Produtivas – Oportunidades para o Desenvolvimento da Indústria Brasileira, realizado no Rio, que reuniu autoridades, empresários e entidades de apoio para debater estratégias que ampliem a competitividade e diversifiquem os mercados para os produtos fluminenses.
O encontro foi promovido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Participaram o ministro em exercício do MDIC, Márcio Elias Rosa; o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller; e o presidente da ABDI, Olavo Noleto, além de representantes da Firjan, Bernardino (BNDES), Sebrae/RJ e empresas locais.
Impacto do Acordo Mercosul–União Europeia nas exportações
O Acordo Mercosul–União Europeia foi um dos temas centrais do evento. Márcio Elias Rosa destacou que as exportações brasileiras para a União Europeia cresceram cerca de 30% desde maio, resultado direto da redução tarifária para uma vasta gama de produtos nacionais. O ministro reforçou a importância de o empresariado aproveitar essas vantagens para ampliar o acesso a novos mercados.
Além disso, Rosa apontou que diversificar os destinos das exportações é uma estratégia crucial para proteger a indústria diante do cenário geopolítico global, aumentando a produtividade e a inserção internacional do setor produtivo nacional.
Crescimento além do petróleo: outros setores ganham espaço
Embora o petróleo continue sendo o principal produto exportado pelo estado, outros setores têm mostrado vigor no aumento das vendas externas. A ApexBrasil constatou um crescimento de 20% nas exportações dos demais segmentos, que passaram de quase US$ 7 bilhões para aproximadamente US$ 9 bilhões em 2026. Entre esses setores estão moda, metalmecânica, automobilística, alimentos e bebidas, indústria criativa, vinhos e cachaças.
Laudemir Müller ressaltou que, enquanto o petróleo puxa a balança comercial, é a diversificação que fortalece a economia fluminense, ampliando oportunidades para pequenas e médias empresas que a ApexBrasil já atende em cerca de 1,1 mil unidades no estado.
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Ferramenta de inteligência comercial identifica 717 oportunidades para o Rio
Para facilitar a conexão entre o comércio exterior e as empresas locais, a ApexBrasil apresentou o Painel de Oportunidades do Acordo Mercosul–União Europeia, uma ferramenta pública de inteligência comercial. Gustavo Ribeiro, gerente de Inteligência de Mercado da ApexBrasil, explicou que o painel traduz a complexidade do acordo em informações práticas para os exportadores, ajudando a identificar novas possibilidades de negócios.
O painel mapeou 717 oportunidades específicas para o Rio de Janeiro, que atualmente exporta cerca de US$ 49 bilhões globalmente, com US$ 10 bilhões destinados ao bloco europeu. São 567 empresas fluminenses com atuação na União Europeia, e a ferramenta orienta tanto quem deseja diversificar mercados quanto quem busca iniciar exportações.
Avanços nos acordos comerciais e impacto no estado
Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do MDIC, destacou um avanço significativo na inserção internacional do Brasil, com a participação do país em acordos comerciais que elevaram a fatia do comércio exterior protegido por acordos de preferência de 12,4% para mais de 31%. O Mercosul com a União Europeia, Singapura e EFTA são exemplos desse movimento.
O bloco europeu responde por cerca de 20% das exportações do Rio de Janeiro, e o acordo também abre portas para o setor de serviços, especialmente nas áreas de tecnologia da informação, engenharia, arquitetura e consultoria.
Política industrial fortalece competitividade e inovação
O presidente da ABDI, Olavo Noleto, ressaltou que a expansão do comércio internacional se apoia no fortalecimento da indústria interna. Ele destacou a Nova Indústria Brasil (NIB) e o Plano Mais Produção como iniciativas que refletem a confiança do setor privado no apoio governamental para inovação e investimentos. O Plano Mais Produção, inicialmente orçado em R$ 300 bilhões, ampliou-se para R$ 800 bilhões devido à alta demanda por recursos.
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Debate direto com indústria fluminense
O evento proporcionou diálogo entre gestores públicos e empresários locais, destacando desafios e oportunidades para a indústria competir internacionalmente. Executivos como Alessa Migani, da Alessa, e Henrique Osório, da SACOR, compartilharam suas experiências em um painel moderado por Claudine Bichara (Sebrae/RJ).
Especialistas discutiram acordos comerciais, captação de recursos e linhas de financiamento para exportação, com participação de Ana Paula Bernardino (Bernardino (BNDES)) e abordagens sobre a Nova Indústria Brasil e Indústria 4.0, com Luis Felipe Giesteira e Thiago Mendes Lima (Lima (ABDI)), respectivamente. O evento também ofereceu atendimentos individualizados para empresas interessadas em internacionalização.
Recorde nas exportações para a União Europeia impulsiona o comércio
As exportações brasileiras para a União Europeia atingiram US$ 37,3 bilhões de janeiro a agosto de 2026, superando em US$ 4,8 bilhões o mesmo período em 2025. O crescimento ocorreu em todas as categorias previstas no Acordo Mercosul–União Europeia, com produtos de tarifa zerada aumentando 27,9% e itens sujeitos a cotas crescendo 22,8%. Ainda houve US$ 148,3 milhões em exportações inéditas para o bloco.
De maio a setembro de 2026, o Brasil exportou US$ 27,2 bilhões para a União Europeia, 30,6% a mais que no mesmo intervalo de 2025. As importações somaram US$ 22,5 bilhões, e a corrente de comércio totalizou US$ 49,7 bilhões, com superávit de US$ 4,7 bilhões, revertendo o déficit de US$ 965,9 milhões do ano anterior.
Esse cenário reforça o potencial do Rio de Janeiro e do Brasil em ampliar sua presença no comércio internacional, aproveitando acordos e políticas industriais que incentivam a inovação, a diversificação e a competitividade do setor produtivo.

