Mudanças no Cenário de Energia Global
A guerra na Ucrânia trouxe transformações significativas para a indústria de petróleo mundial, segundo o CEO da Equinor, Anders Opedal. Durante uma recente entrevista, Opedal destacou que a preocupação com sustentabilidade foi eclipsada por uma nova ênfase na segurança energética. Isso reflete um ajuste nas estratégias de investimentos das petroleiras em resposta às crises globais. Ele mencionou: “O foco agora é garantir que tenhamos energia acessível e segura”.
No mês passado, o executivo se reuniu com o presidente Lula para discutir o Campo de Raia, uma iniciativa na Bacia de Campos que tem o potencial de atender 15% da demanda de gás do Brasil, equivalente ao consumo de São Paulo. A Equinor, além de atender essa demanda, está expandindo seu portfólio de energias renováveis, com projetos como o complexo Serra da Babilônia, na Bahia, que combina energia solar e eólica.
Impactos do Preço do Petróleo e Projeções Futuras
Atualmente, o preço do petróleo está em torno de US$ 60, e Opedal explicou que isso não altera drasticamente os planos da empresa no Brasil. “A indústria de óleo e gás é cíclica. Ao desenvolver um projeto, não olhamos somente o preço atual, mas o longo prazo”, afirmou. Ele ressaltou que a Equinor tem focado na criação de valor e na otimização do ponto de equilíbrio, visando sempre a redução das emissões de CO₂ nas suas operações.
Sobre as perspectivas para 2026, a Equinor espera que os preços permaneçam estáveis, mesmo com a possibilidade de novas quedas. Opedal comentou que, apesar das incertezas, a empresa está pronta para enfrentar os desafios do mercado.
O Desafio do Sistema Tributário e Investimentos a Longo Prazo
A recente fala da presidente da Petrobras sobre a necessidade de uma política tributária estável foi recebida com atenção por Opedal. Ele alertou que mudanças frequentes no sistema tributário, como as observadas no Reino Unido, podem desestimular investimentos. “No Brasil, temos um ambiente mais consistente, o que nos permite planejar investimentos significativos”, disse, enfatizando que a Equinor planeja investir cerca de R$ 140 bilhões no Brasil até 2030.
O Papel da Equinor na Transição Energética
A discussão em torno da segurança energética ganhou destaque em virtude da necessidade de substituir o gás russo por alternativas, principalmente o gás norueguês. “A guerra na Ucrânia mudou o jogo e, embora continuemos a investir em energias renováveis, o petróleo e o gás ainda serão necessários por um longo período”, afirmou Opedal. O CEO também comentou sobre a crescente ênfase em investimentos que garantam energia estável no contexto das mudanças climáticas e da transição energética.
Em relação ao apoio popular à transição, ele destacou que a percepção já muda entre os líderes globais. “Cinco anos atrás, ninguém falava sobre segurança energética. Agora, ministros e presidentes discutem isso constantemente”, observou. A Equinor, portanto, se vê como parte fundamental dessa transição, alinhando suas operações tradicionais com novas soluções sustentáveis.
Perspectivas de Investimento em Novas Regiões
Quando questionado sobre novas áreas de investimento, Opedal afirmou que o foco permanece nas bacias de Campos e Santos, onde a empresa já possui expertise. Contudo, ele revelou que estão sendo desenvolvidos novos prospectos, como o Jaspe, em parceria com a Petrobras. “Estamos sempre em busca de novas oportunidades, mas as bacias onde já atuamos são nosso principal foco”, afirmou.
Importância dos Projetos para a Economia Brasileira
A conversa com o presidente Lula também abordou detalhes sobre o investimento de cerca de US$ 9 bilhões no Campo de Raia, que promete criar aproximadamente 50 mil empregos diretos e indiretos. Opedal reiterou que a importância desse projeto vai além da produção de gás, podendo impulsionar novas indústrias e reduzir a dependência de importações.
O desafio logístico para levar o gás até a costa é uma das prioridades atuais da Equinor, que está construindo um gasoduto próximo à Rota 2. Com isso, a expectativa é que, a partir de 2028, haja uma oferta substancial de gás à indústria.
Em termos de energias renováveis, a Equinor tem um portfólio diversificado que inclui projetos em várias regiões, como Apodi (CE) e Mendubim (RN), além de parcerias estratégicas com empresas estabelecidas no Brasil. O CEO concluiu que, embora a empresa busque diversificação, o compromisso com o setor de óleo e gás se mantém, refletindo a complexidade da transição energética atual.

