Reaproximação entre Moro e a Família Bolsonaro
Após deixar o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2020, Sérgio Moro (União-PR) volta a se aliar à família Bolsonaro. O senador se filiará ao Partido Liberal (PL) na próxima terça-feira (24), com o objetivo de concorrer ao governo do Paraná. Em contrapartida, Moro oferecerá apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência.
A saída de Moro do governo Bolsonaro foi marcada por acusações de que o ex-presidente tentava interferir nas ações da Polícia Federal para proteger aliados sob investigação. Contudo, a filiação de Moro ao PL foi confirmada tanto por Flávio quanto pelo deputado federal Filipe Barros (PL-PR). Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio se referiu ao senador como “amigo” e expressou sua felicidade em compartilhar pautas com Moro, que, por sua vez, declarou: “Presidente, vamos mudar esse país”.
O cenário político paranaense e as pesquisas eleitorais
Recentemente, Flávio também lançou Álvaro Dias como candidato ao governo do Rio Grande do Norte em um evento do PL. No Paraná, a reconciliação entre Moro e a família Bolsonaro ocorre em um contexto de competição acirrada, já que Flávio tenta pressionar o PSD, partido do atual governador do Paraná, Ratinho Jr., que é uma das figuras na corrida pela candidatura nacional da legenda, junto com os governadores Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).
Conforme levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, Moro lidera a corrida pelo Palácio Iguaçu em todas as simulações da primeira etapa do pleito. O estudo, realizado em janeiro, também avaliou possíveis cenários para um segundo turno, apontando uma vantagem do senador em todas as configurações analisadas. A pesquisa contou com 1.300 entrevistados em 54 cidades paranaenses e possui uma margem de erro de 2,8 pontos, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.
A percepção dos especialistas sobre a filiação de Moro
O consultor político Adriano Canutto destaca que a nova filiação de Moro traz um reforço de credibilidade ao PL, considerando sua relevância durante a Operação Lava Jato. Ele descreve Moro como o “juiz midiático” mais influente até o momento, que alterou a relação do Direito com a mídia, valorizando a posição de juiz nas redes sociais. Canutto afirma que a credibilidade do senador se mantém, mesmo com as desavenças passadas com Flávio Bolsonaro.
Ele acredita que, apesar de suas discordâncias, o objetivo comum de combater a ideologia de esquerda deverá reunir novamente as forças da direita brasileira, fortalecendo-as para as próximas eleições. Por outro lado, o cientista político Heitor Veras considera que a filiação de Moro terá um impacto maior na construção de sua base no Paraná, reduzindo seu isolamento, do que em apoiar Flávio na disputa presidencial. Veras observa que a memória do rompimento de 2020, marcada por acusações de traição, pode ressoar negativamente entre os eleitores.
Possíveis desdobramentos da nova aliança
A percepção de que a política brasileira costuma recompensar alianças que entregam resultados é compartilhada por Veras. Ele sugere que, caso o acordo entre Moro e Flávio resulte em apoio efetivo, a credibilidade do senador, que foi ferida no passado, pode se transformar em um custo aceitável. Para Eduardo Negrão, a união entre Moro e Bolsonaro pode ser decisiva para a eleição no Paraná, formando uma chapa conservadora ideal com outros nomes significativos, como Deltan Dallagnol (Novo) e Cristina Graeml (União).
A aproximação entre Moro e Flávio é facilitada pelo fato de ambos serem colegas no Senado e terem conseguido conviver pacificamente nos últimos três anos, o que seria menos provável se Jair ou Eduardo Bolsonaro estivessem envolvidos. Negrão acredita que a aliança é também uma resposta a uma falha estratégica de Ratinho Jr., que se afastou do PL, o que poderá complicar sua trajetória política caso não avance para o segundo turno.

