A Emoção de Celebrar 27 Anos de Carreira
Na noite de sábado, 24 de janeiro, a Vivo Rio foi palco de uma apresentação inesquecível de Ana Carolina, marcando 27 anos desde que a artista mineira deixou sua marca na música brasileira. Embora os cálculos possam parecer confusos, a paixão do público é o que realmente importa. Durante o show, que atraiu fãs de todas as idades, Ana Carolina mostrou que não precisa de um grande hit para lotar a casa. Sentado na primeira fila, pude perceber a energia vibrante que emanava do público, algo que a cantora conquistou ao longo de sua carreira.
Livrando-me da pressão de ter que anotar detalhes para uma crítica, pude simplesmente desfrutar do espetáculo. A apresentação trouxe uma mistura de lágrimas, sucessos e, claro, gritos de fãs apaixonados. Um dos momentos mais emocionantes foi quando Ana, visivelmente tocada, não conteve as lágrimas após a performance de “Quem de nós dois”, um dos clássicos de sua trajetória. Essa canção, que a catapultou para o estrelato em 2001, foi um marco que garantiu seu lugar em grandes palcos do Brasil.
Paixão do Público e Repertório Marcante
Sim, Ana Carolina chorou. E quem poderia blame-la? Ciente de que sua arte enfrenta críticas, especialmente em relação às escolhas musicais feitas nos últimos anos, a cantora se viu ali, reconhecida e amada pelo seu público, recebendo o aval que nenhum crítico pode oferecer. A paixão dos admiradores é palpável e, durante a apresentação, aplausos e gritos de ânimo foram constantes. Vozes anônimas na plateia exclamavam: “Gostosa!” em momentos de pura admiração.
Quando Ana entoou “Nua” e “Encostar na tua”, pude refletir sobre meu álbum favorito dela, “Estampado”. Sem dúvida, é uma obra poderosa, embora o álbum de estreia, simplesmente intitulado “Ana Carolina”, lançado em 1999, tenha também sua relevância, especialmente pelo sucesso “Garganta”. É interessante observar como a trajetória de um artista pode se diversificar ao longo dos anos, enfrentando os desafios da indústria musical, que muitas vezes pode ser implacável.
Generosidade e Novas Canções
A generosidade de Ana em ceder composições a outros artistas também merece destaque. Canções como “Sinais de fogo” e “Cabide” são exemplares da qualidade de sua escrita, mostrando que ela não é apenas uma intérprete, mas uma compositora talentosa. No entanto, o público também anseia por suas novas músicas. Durante o show, ela incluiu “Mãe”, uma das faixas mais emocionantes de seu álbum recente, “Ainda já”, que ainda espera pela segunda parte. Embora algumas músicas inéditas tenham sido removidas do setlist, a inclusão de hits consolidou a conexão com o público, tornando a apresentação mais envolvente do que a estreia da turnê.
A Chama que Nunca se Apaga
É válido reconhecer que o brilho do show de ontem foi superior ao da primeira apresentação. A chama que, em algum momento, parecia ter se apagado durante a performance em “Fogueira em alto mar”, foi reacendida. Essa energia é o que move não apenas os shows, mas toda a carreira de Ana Carolina. Sua música é, acima de tudo, uma expressão de sentimentos profundos.
Como crítico musical, minha admiração por Ana nunca diminuiu, mesmo que minhas preferências tenham mudado ao longo dos anos. Existe uma expectativa em relação ao que ela pode criar a seguir. Espero que um dia possamos ver um novo álbum que rivalize com “Estampado”. Mas, por enquanto, deixei-me levar pela experiência única que foi a noite na Vivo Rio. E assim, entre lágrimas, sucessos, gritos e paixões, celebrei a arte e a trajetória de Ana Carolina.

