Uma Nova Abordagem nas Viagens
Julia Machado, 26 anos, é jornalista e reside em São Paulo há seis anos. Seu foco nas viagens são destinos que combinam belezas naturais com uma cultura local vibrante. “Viver o cotidiano do lugar, andar pelos bairros, frequentar bares e restaurantes locais e interagir com os moradores faz parte dessa vivência. Até mesmo a próxima parada da viagem muitas vezes surge dessas conversas, já que opto por viajar sem roteiros rígidos”, compartilha.
A viagem, para Julia, representa uma pausa da agitação da grande metrópole: “São Paulo é acelerada e barulhenta, e essa sensação de urgência é constante. Ao adotar esse estilo de viagem, onde passo mais tempo em um local e me desconecto das obrigações, consigo me livrar dessa pressão de seguir um cronograma repleto de atividades”. Ela acrescenta: “Passamos a respeitar o ritmo do lugar e o nosso próprio tempo. É uma pausa que vai além do físico; é mental”.
O Crescimento do Slow Travel
Julia não está sozinha nessa busca por uma viagem mais lenta. Dados do “Destinations of the Year Report 2026”, realizado pelas marcas Expedia, Hotels.com e Vrbo, revelam que 84% dos viajantes em todo o mundo estão interessados em experiências mais intencionais e relaxantes. O estudo também aponta um aumento de 300% nas menções a estadias em áreas rurais e fazendas nos últimos dois anos, indicando um desejo crescente por um contato mais próximo com a natureza.
A proposta do Slow Travel é clara: valorização da presença em detrimento da pressa. Luiz Gonzaga Trigo, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, explica: “A ideia é desfrutar do ambiente, da gastronomia e da atmosfera. Isso é algo que já vemos em locais como São Paulo e Rio de Janeiro, onde as pessoas flanam pela cidade. É uma tendência que incentiva a permanência, como dedicar uma semana a um único lugar. O turismo cultural e comunitário também se encaixa nesse conceito. Mesmo uma viagem mais econômica, como passar férias na chácara da avó, pode ser considerada Slow Travel”.
A Importância do Tempo de Qualidade
Em um mundo tão acelerado, essa abordagem contrasta com a ideia de produtividade incessante, até mesmo durante as férias. O professor Trigo ressalta que a proposta é se afastar de roteiros apressados e focar em desfrutar o tempo com qualidade e sem obrigações. Essa mudança de perspectiva tem gerado um impacto positivo na forma como os viajantes se relacionam com os destinos.
Vantagens de Viajar Devagar
Marianne Costa, CEO do Grupo de Turismo Vivejar, celebra a ascensão do Slow Travel como uma tendência crescente. Para ela, esse estilo de viagem reflete uma busca por conexões mais genuínas em meio às crescentes dificuldades emocionais da sociedade: “Percebo uma demanda por experiências que sejam mais profundas e conectadas, onde o olho no olho prevalece. Isso é especialmente evidente entre o público atual e suas necessidades”.
Victor Del Vecchio, advogado que passou 24 dias imerso na América Central, compartilha sua experiência. Para ele, os benefícios vão além do bem-estar mental: “Mudar de ambiente é crucial. Precisamos romper com a rotina de trabalho e nos expor a novas experiências”. Ele enfatiza a importância da organização para quem deseja embarcar nesse tipo de viagem: “Se você tiver a oportunidade, não hesite. Isso transforma a forma como vemos o mundo, trazendo uma nova perspectiva, diferente daquela que lemos em blogs de viagem tradicionais”.

