Benefícios Surpreendentes para Brasil e China
Um recente relatório da Global Trade Alert revelou que o Brasil será o país mais favorecido com a nova alíquota tarifária global, anunciada pelo presidente Donald Trump. O estudo indica uma redução significativa de 13,6 pontos percentuais nas tarifas médias brasileiras, enquanto a China se destaca em segundo lugar, com uma diminuição de 7,1 pontos, seguida da Índia com uma queda de 5,6 pontos.
A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal britânico Financial Times e posteriormente confirmada pelo g1, que teve acesso ao documento completo.
As novas tarifas globais, que começarão a valer às 00h01 do horário de Washington na próxima terça-feira (24), foram introduzidas após Trump anunciar uma alíquota inicial de 10%, que foi rapidamente elevada para 15% em menos de 24 horas. Essa decisão seguiu-se a um veredicto da Suprema Corte dos EUA que invalidou o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para a implementação de tarifas.
Vale destacar que, apesar da abrangência das novas taxas, algumas categorias de produtos, como minerais essenciais, bens agrícolas e componentes eletrônicos, terão exceções aplicáveis.
Novas Tarifas e Seus Impactos
Com a aplicação das novas tarifas, aliados dos Estados Unidos, como Reino Unido (+2,1 pontos), União Europeia (+0,8 ponto) e Japão (+0,4 ponto), enfrentarão tarifas aumentadas. O economista Johannes Fritz, que elaborou a análise, comentou sobre as implicações dessa mudança, destacando que os países criticados pela administração americana, incluindo Brasil, China, México e Canadá, são os principais beneficiados.
“Embora esse regime de tarifas tenha uma duração potencial de apenas 150 dias, a administração sinalizou que se concentrará em legislações que permitam a imposição de tarifas. Isso significa que, na prática, um novo ciclo tarifário se inicia”, afirmou Fritz, ressaltando as incertezas que cercam o cenário econômico.
Reação do Governo Brasileiro
O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também lidera o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, celebrou a decisão da Suprema Corte como um passo positivo para a competitividade brasileira. Ele argumentou que a eliminação do tarifaço proporciona ao Brasil um ambiente competitivo semelhante ao de seus concorrentes.
Após o aumento da tarifa global de 10% para 15%, Alckmin reiterou que essa mudança não compromete a competitividade das empresas brasileiras, uma vez que a alíquota é uniforme para todos os países. “Com a alíquota de 15%, não perdemos competitividade. Em certos setores, como combustíveis, carnes, café e celulose, essa medida até zerou as tarifas”, afirmou o vice-presidente.
Ele também mencionou a oportunidade de negociações futuras, destacando uma possível visita do presidente Lula aos EUA em março para discutir questões não tarifárias.
Impactos nas Exportações Brasileiras
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a recente decisão da Suprema Corte impacta cerca de US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos. Antes da intervenção judicial, aproximadamente 22% das exportações brasileiras estavam sujeitas a uma sobretaxa que chegava a 40%.
Esse panorama tarifário se intensificou nos últimos anos, com produtos brasileiros enfrentando sobretaxas que chegaram a 50% na entrada dos EUA, com exceções para alguns itens. A cronologia do tarifaço revela que, em abril de 2025, Trump já havia aplicado uma taxa adicional de 10% sobre as importações brasileiras, seguida por um aumento significativo em junho e julho do mesmo ano, resultando em tarifas de até 50% em determinados produtos.
Em novembro de 2025, após diálogos diretos com a administração Lula, os EUA começaram a retirar algumas tarifas, proporcionando alívios para itens como café e carnes. A decisão da Suprema Corte, em fevereiro de 2026, foi um divisor de águas que derrubou as tarifas amplas impostas anteriormente, ajustando assim a dinâmica das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

