Novas Diretrizes Táticas no Flamengo
Sob a coordenação de Leonardo Jardim, o Flamengo tem demonstrado um novo padrão em seu ataque, visível em três jogos sob seu comando. O título no Campeonato Carioca, conquistado nos pênaltis contra o Fluminense, e as vitórias expressivas sobre o Cruzeiro (2 a 0) e o Botafogo (3 a 0), no Brasileirão, evidenciam ajustes táticos que transformaram o desempenho de jogadores como Lucas Paquetá, Samuel Lino e os laterais.
A presença de Samuel Lino tem se destacado, especialmente após sua assistência contra o Cruzeiro e o gol que abriu o placar contra o Botafogo. A mudança de abordagem de Jardim tem proporcionado liberdade aos pontas, dando a eles novas funções. Se antes, sob Filipe Luís, as movimentações eram restritas às laterais e com foco defensivo, agora os jogadores estão se centralizando e criando mais oportunidades dentro da área.
Samuel Lino, que chegou ao Flamengo como a contratação mais cara da história, é conhecido por sua habilidade em dribles curtos e movimentação no campo. Seu gol recente, resultado de um passe de Varela e um chute de primeira com desvio, comprovou sua adaptabilidade ao novo estilo. Após a partida, Lino comentou sobre as transformações: — A proposta é jogar com mais liberdade, trocar posições e imprimir muita intensidade. Aqui no Brasil, quando a intensidade é elevada, como os treinadores portugueses preferem, isso se destaca — explicou, referindo-se ao processo de adaptação à nova filosofia de Jardim.
Liberdade e Criatividade em Campo
Enquanto Samuel Lino brilha pelo lado esquerdo, acirrando a competição com Everton Cebolinha e Carrascal, Lucas Paquetá também se destaca pela direita. O meio-campista, que tem um estilo mais criativo, encontrou espaço para realizar passes decisivos, como o que originou o terceiro gol de Pedro, quando lançou Varela, que serviu o centroavante.
Os laterais, por sua vez, estão usufruindo de uma nova abordagem na saída de bola. Jardim decidiu manter a dupla de zaga mais fixa, permitindo que Pulgar se adiante para organizar o jogo pelas laterais, em vez de atuar como um terceiro zagueiro. Essa estratégia liberou os laterais para avançar, aumentando as opções de ataque. Varela e Emerson Royal já aplicavam essa dinâmica, mas até mesmo Alex Sandro, que costumava ficar recuado, passou a se arriscar mais no ataque.
Objetividade e Velocidade nas Ações Ofensivas
Outro aspecto que Jardim trouxe para a equipe é a objetividade nas jogadas. Ele tem incentivado os jogadores a tomarem decisões mais rápidas, o que refletiu na capacidade do time de abrir o placar com mais agilidade, disponibilizando mais alternativas para controlar a partida. Apesar de muitos atletas ainda buscarem seu espaço na equipe, Pedro já se consolidou como uma referência, recuperando sua posição de titular com uma atuação que combina mobilidade e características de um centroavante clássico.
— Não sou um treinador que valoriza uma posse de bola sem propósito. A posse deve ter o objetivo de criar espaço ou superioridade em relação ao adversário. Quando o time adversário pressiona menos, temos mais posse; quando eles pressionam mais, geram espaços que podemos explorar — explicou Jardim em coletiva após uma das partidas. — O fundamental é criar um jogo coletivo que dificulte a vida do adversário. Estamos trabalhando em ideias ofensivas, focando na recuperação da bola e sempre em busca do passe à frente, com ênfase em passes entrelinhas, ao invés de passes laterais ou para trás.

