Uso Político da Polícia Civil em Pernambuco
Em uma declaração contundente, o prefeito do Recife, João Campos, criticou o que considera ‘uso político’ da Polícia Civil de Pernambuco. Ele ressaltou que o verdadeiro foco das investigações não deveria ser apenas a apuração de fatos, mas sim a forma como esses procedimentos são conduzidos. ‘Eu não tolero corrupção, mas também não aceito perseguições’, afirmou Campos, destacando que as ações ilegais ‘não ficarão impunes’. Para ele, a disputa política não justifica qualquer tipo de abuso por parte das autoridades.
A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, sob a liderança de Raquel Lyra, defende que as investigações partiram de uma denúncia anônima e foram conduzidas de acordo com a lei, tendo sido arquivadas sem a indicação de irregularidades. Campos, por sua vez, criticou a condução das diligências, que, segundo ele, ocorreram sem a devida ordem judicial, caracterizando um ato de perseguição com motivação política.
Questionamentos sobre a Legalidade das Investigações
O prefeito destacou que vários inquéritos foram reabertos sem justificativa clara e que ações como a instalação de rastreadores em veículos oficiais da prefeitura foram feitas de maneira irregular. ‘Isso é criminoso. É um absurdo que isso ocorra sob os olhares de todos nós. Aonde isso iria parar se não fosse a imprensa livre denunciando?’, indagou Campos. Ele apontou que o verdadeiro objetivo dessas ações pode ser a construção de provas falsas para incriminar inocentes.
Além disso, Campos lembrou que desde sua reeleição em 2024, ele é alvo de campanhas de desinformação e ódio. Ele mencionou que uma investigação sobre supostas irregularidades em creches foi arquivada após as eleições, mas posteriormente reaberta. ‘Depois da eleição, o caso é encerrado novamente. Então, por que essa ação intempestiva agora?’, questionou.
Monitoramento de Secretário e Denúncias de Espionagem
O secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho, foi alvo de monitoramento intensivo entre agosto e outubro de 2025. Os agentes acompanhavam sua rotina e trocavam informações em um grupo de mensagens onde, inclusive, foram compartilhadas imagens do secretário com a descrição de ‘alvo da missão’. O caso veio à tona através de uma reportagem da TV Record.
Em um dos relatos coletados, os agentes seguiam o carro usado por Carvalho e seu irmão, Eduardo, que também estava sendo monitorado. Mensagens trocadas indicavam a rotina do veículo e suas paradas em locais públicos. ‘Bom dia. A rotina do veículo se repetiu pela manhã. Ele chega à prefeitura às 8 horas’, diz uma das mensagens.
Reação da Polícia Civil e da Prefeitura do Recife
A Polícia Civil de Pernambuco afirmou que as diligências foram iniciadas com base em uma denúncia anônima sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo um servidor público. No entanto, a ausência de evidências levou ao arquivamento de qualquer inquérito formal. O órgão informou que, segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, denúncias anônimas não são suficientes para a instauração imediata de um inquérito policial, sendo utilizadas apenas como ponto de partida para investigações preliminares.
A administração municipal, através de uma nota oficial, repudiou qualquer tentativa de uso indevido da polícia para fins políticos e classificou o episódio como ‘ilegal, inconstitucional e imoral’. O advogado de Carvalho, Eduardo Trindade, também se manifestou, solicitando à Polícia Civil uma cópia dos procedimentos para verificar a regularidade da investigação.
Críticas de Parlamentares e o Clamor por Justiça
Em meio à polêmica, parlamentares aliados a Campos manifestaram seu apoio e criticaram as ações da Polícia Civil. A vice-líder do governo Lula na Câmara, deputada federal Maria Arraes, descreveu as táticas utilizadas como ‘inadmissíveis’, caracterizando-as como espionagem. O deputado estadual Sileno Guedes, líder do PSB, se juntou ao coro de críticas, afirmando que a Polícia Civil vem sendo utilizada para monitorar adversários políticos.

