Um Encontro de Gerações e Emoções
Na atmosfera nostálgica da casa onde Zé Renato cresceu, o samba sempre teve um papel central. O artista, que carrega em sua bagagem a influência do pai, Simão de Montalverne, um renomado jornalista e cronista da boemia, trouxe à tona as memórias afetivas que moldaram sua vida. Com a realização do show “Samba e amor”, parte do projeto “Terças no Ipanema” no Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro, Zé Renato reverenciou os ícones do samba em uma apresentação rica em sentimentos e musicalidade.
Na segunda de quatro noites de apresentação, realizada em 10 de março, o cantor encantou a plateia com sua devoção ao gênero e aos grandes bambas da música brasileira. E a participação especial de Paulinho Moska, que prestigiou a noite, trouxe um toque ainda mais especial. Os dois artistas interpretaram juntos “Cama da ilusão”, uma parceria que remete ao passado e à velha guarda do samba.
Uma Imersão nas Raízes do Samba
O repertório do show também incluiu “Dupla genial”, um clássico de Monarco e Delcio Carvalho, composto em homenagem a Alcebíades Barcelos e Armando Marçal, fundamentais na história do samba carioca. Essa viagem no tempo culminou em um momento emocionante onde Zé e Moska interpretaram “Desde que o samba é samba”, de Caetano Veloso, antes de finalizarem com o animado “Cabô”, uma das faixas mais memoráveis da carreira solo de Zé Renato.
Apesar de pequenos deslizes nas letras, como o erro notado em “Cama da ilusão”, a performance de Moska trouxe um ar leve e divertido à apresentação, reafirmando a conexão entre os artistas e o público.
A música inédita “A santa do Engenho Novo”, uma nova parceria de Zé Renato e Leonardo Lichote, foi apresentada antes de “365 igrejas”, de Dorival Caymmi, trazendo frescor ao repertório. Ao longo do show, Zé Renato, acompanhado por Paulino Dias na percussão e Carlinhos Sete Cordas no violão, navegou por diversas vertentes do samba, sempre com a paixão e o talento que o caracterizam.
Um Legado Musical que Transcende Gerações
Considerado um dos maiores cantores brasileiros dos últimos 50 anos, Zé Renato, cuja voz é um dos símbolos do grupo Boca Livre, continua a expandir sua carreira com apresentações memoráveis. No show “Samba e amor”, que também traz a essência do samba de Chico Buarque, ele interpretou com sensibilidade “Duas horas da manhã”, de Nelson Cavaquinho, conferindo uma nova profundidade ao clássico.
Outro momento brilhante foi a execução do afrossamba “Consolação”, de Baden Powell e Vinicius de Moraes. A introdução vibrante com percussão de Paulinho Dias realçou a riqueza da ancestralidade afro-brasileira, enquanto os violões se entrelaçavam em harmonia, criando um dos clímax da noite.
A apresentação também trouxe canções de Zé Ketti, um dos grandes nomes do samba, com a interpretação de “A voz do morro”, “Malvadeza Durão” e “Diz que fui por aí”, celebrando a tradição e a inovação no ritmo carioca.
Um Show que Encanta e Envolve
Com duas composições de Noel Rosa e Vadico, “Feitio de oração” e “Feitiço da Vila”, o show “Samba e amor” se destacou como mais um acerto da curadoria de Flávia Souza Lima no projeto “Terças no Ipanema”. Zé Renato, um verdadeiro bamba, demonstrou que o amor pelo samba é uma herança familiar, ecoando em cada nota cantada e aplaudida por um público apaixonado.

