Mudanças no Formato e a Reação dos Torcedores
A simultaneidade das competições estaduais e do Campeonato Brasileiro tem gerado confusão entre os torcedores, resultando em arquibancadas visivelmente mais vazias nos primeiros meses da temporada. O Flamengo, que conquistou o título carioca pela 40ª vez, viu a média de público diminuir para 7.120 pagantes por jogo, uma queda de 15,9% em comparação a 2025. Esse já havia registrado uma redução de 38,4% em relação ao ano anterior. O que está acontecendo com os clubes e suas torcidas?
Em São Paulo, a situação não é diferente. O Campeonato Paulista registrou uma média de 10.725 torcedores por partida, representando uma diminuição de 13,5% em relação à edição passada. Essa perda de público é ainda mais alarmante quando se considera que, em 2024, a queda foi de apenas 2,7%. A introdução de um novo formato de fase de liga, inspirado no modelo da Champions League, não conseguiu atrair os torcedores como esperado.
A Comparação com Outros Estaduais
Entre os cinco Estaduais que apresentaram as maiores médias de público em 2025, apenas o Campeonato Mineiro teve um aumento, com uma média de 7.342 pagantes por jogo e um crescimento de 3,5% em relação ao ano anterior. A diferença em relação aos outros estados é notável e levanta questões sobre o apelo dos diferentes formatos de campeonato.
Alguns fatores explicam essa diminuição no público. Por exemplo, no Carioca-2026, não houve jogos realizados em outros estados, prática adotada anteriormente que costuma aumentar a presença de torcedores e a receita dos clubes. Já no Paulista, a ausência do Allianz Parque, em reforma, fez com que o Palmeiras jogasse na Arena Barueri, que possui capacidade reduzida (31.452 lugares, em comparação aos 43.723 do Allianz).
O Dilema do Torcedor: Rivais Locais ou Brasileiro?
A concorrência entre o Campeonato Brasileiro e os Estaduais criou um dilema para os torcedores, que se veem forçados a escolher entre a rivalidade local em torneios curtos e a relevância maior da Série A, que se estende até dezembro. O resultado disso foi um impacto negativo para ambas as competições.
No Carioca, o clássico entre Botafogo e Flamengo, que ocorreu nas quartas de final, teve apenas 10.133 torcedores. Enquanto as semifinais entre Vasco e Fluminense somaram 45.369 pagantes, um número que ainda assim não enche o Maracanã em uma tarde. No Pará, a situação também é preocupante: a primeira partida da final entre Remo e Paysandu atraiu apenas 18.982 torcedores ao Mangueirão, o pior público do clássico em três anos.
A Impactante Queda no Brasileirão
O Campeonato Brasileiro, que tem jogos apenas durante a semana, registrou públicos significativamente mais baixos do que nos anos anteriores. Neste início de temporada, a média é de 17.764 pagantes, enquanto em 2025, o mesmo torneio registrou uma média de 22.684 nas quatro rodadas iniciais. Essa queda de 21,7% representa quase um quarto a menos de torcedores nas arquibancadas.
A expectativa é de que o Campeonato Brasileiro recupere seu espaço no calendário à medida que os jogos voltam aos fins de semana. No entanto, o impacto negativo das primeiras rodadas pode afetar a média final, que tem sido uma fonte de orgulho para a CBF, especialmente após a edição recorde de 2023, que teve uma média de 26.502 torcedores.
Um Lado Positivo: O Mercado Publicitário
Apesar do impacto sobre a presença de torcedores, os Estaduais continuam a se destacar no mercado publicitário. Renê Salviano, CEO da agência Heatmap, que assessora alguns campeonatos, explicou que os Estaduais atraem um tipo de patrocinador que busca se conectar com o público local. “Os Estaduais são um sucesso porque incluem marcas grandes que precisam de capilaridade e têm verba, além de empresas menores que almejam estar presentes no futebol, mas não têm orçamento para o Brasileiro”, afirmou Salviano.
Um dado alentador é que, dos 27 Estaduais, 18 conseguiram fechar contratos de naming rights, permitindo que as marcas sejam associadas aos campeonatos. Essa performance mostra que, mesmo diante de desafios, a conexão com o público local e o envolvimento empresarial continuam fortes.

