Reajuste de 65% para profissionais da saúde em Niterói ainda não é implementado
A aprovação da Tabela Salarial com reajuste de 65% para os profissionais da saúde de Niterói, incluindo categorias da rede municipal e da FeSaúde, tem enfrentado uma longa espera para ser colocada em prática. Apesar de ter sido definida em novembro do ano passado, após uma reunião com o governo municipal, a efetivação da proposta ainda não saiu do papel, causando insatisfação entre os servidores públicos da cidade.
Essa reivindicação não é recente: a luta pelo reajuste salarial já se estende por cinco anos, o que evidencia a dificuldade enfrentada pelos trabalhadores para garantir condições de trabalho dignas e uma remuneração condizente com a importância da função que desempenham na rede pública de saúde.
Pressão dos trabalhadores é fundamental, mas problemas persistem no ambiente de trabalho
Segundo Sebastião de Souza, diretor do Sindsprev-RJ, a prefeitura de Niterói tem avançado nos encaminhamentos apenas em resposta à pressão exercida pelos profissionais e pelas entidades sindicais. “Eles vão encaminhando de acordo com a pressão. Foi assim quando encaminharam os 65% da Tabela Salarial da Saúde municipal. Fora isso, existe uma pauta plural. Até porque a Mesa de Negociação já era para ser instalada há mais de cinco anos”, explicou Sebastião.
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Ele destaca ainda que a qualidade do atendimento à população está diretamente ligada às condições de trabalho dos servidores. “Quando a gente fala em qualidade de trabalho para o trabalhador, que está tão estressado em seu ambiente de trabalho, é para a população ter um atendimento melhor, mais humanizado.”
Outro ponto criticado por Sebastião é a atual forma de contratação predominante na rede, baseada em Pessoa Jurídica (PJ). “Hoje Niterói trabalha através do PJ, que é uma coisa muito ruim para o profissional, seja ele médico, fisioterapeuta, enfermeiro. Porque são pessoas que trabalham como freelancer. Deveria ter concurso, o que hoje está fora da ordem do dia”, afirmou.
Casos de assédio e atrasos no pagamento pioram a situação dos servidores
Além da demora na implementação do reajuste, os profissionais da saúde enfrentam desafios diários no ambiente de trabalho, como o assédio moral. “O assédio está muito forte dentro das unidades. Tem gente que é chefe e acha que é dono do servidor”, denunciou Sebastião.
Outro problema grave é o atraso no pagamento de Recibos de Pagamento Autônomo (RPA), que impacta diretamente a vida dos trabalhadores. “É muito desumano. É muito ruim para o trabalhador esperar até o décimo-segundo dia para receber, sabendo que a sua luz pode ser cortada, a água pode ser cortada. E o pior de tudo: a sua alimentação pode ficar abalada”, lamentou o diretor do Sindsprev-RJ.
Essa situação evidencia as dificuldades e inseguranças enfrentadas pelos profissionais da saúde que atuam no serviço público de Niterói, reforçando a urgência na implementação da Tabela Salarial e a necessidade de melhorias estruturais para garantir um ambiente de trabalho mais digno e estável.

