Julhamento Sob Apreensão no TSE
Na noite desta terça-feira, 10, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dá continuidade ao julgamento das ações que visam a possível cassação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). O caso, que promete agitar o cenário político fluminense, será analisado a partir das 19h.
O processo em questão envolve duas ações do Ministério Público Eleitoral (MPE), as quais alegam abuso de poder político e econômico durante as eleições de 2022. As acusações indicam que a Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) foram utilizadas para a contratação de cabos eleitorais com recursos do governo estadual, o que violaria as normas eleitorais em vigor.
O julgamento havia sido suspenso após o voto da relatora, a ministra Isabel Gallotti, que se posicionou a favor da cassação de Castro com base nos indícios de abuso de poder político e econômico apresentados nas ações.
As acusações partem de investigações eleitorais feitas pela coligação que apoiou Marcelo Freixo (PT-RJ), ex-adversário de Castro na corrida eleitoral e que atualmente ocupa a presidência da Embratur. O MPE relata que aproximadamente 45 mil contratações temporárias foram autorizadas durante o período eleitoral, com cerca de 27 mil ocorrendo na Ceperj e 18 mil na Uerj. Segundo documentos citados nas ações, foram feitos pagamentos em espécie e saques que totalizariam cerca de R$ 248 milhões, com a alegação de que tal modelo foi empregado para favorecer apoiadores e influenciar o resultado das eleições.
Decisão do TRE-RJ e Oposição ao MPE
Em 2024, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) absolveu os envolvidos com uma decisão apertada de 4 votos a 3, sob a justificativa de que não havia provas suficientes para comprovar a finalidade eleitoral das contratações. No entanto, o MPE não aceitou essa decisão e recorreu ao TSE, argumentando que a absolvição ignorou indícios importantes que poderiam alterar o veredito.
Se o TSE decidir pela cassação do mandato de Castro, a administração do Estado será temporariamente assumida pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto de Castro, até que uma solução para a sucessão seja estabelecida. Caso a perda do mandato ocorra a menos de seis meses do final do governo, a escolha do sucessor será feita de forma indireta pela Assembleia Legislativa. Do contrário, uma nova eleição direta será convocada.
Futuro Político de Cláudio Castro e Próximos Passos
Cláudio Castro já manifestou a intenção de concorrer a uma vaga no Senado, especialmente num cenário político que se desenha ainda mais competitivo. O cargo de governador do Rio de Janeiro ficará vago a partir de maio de 2025, quando Thiago Pampolha renunciará para assumir um posto como conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Castro também declarou que pretende deixar o cargo em abril, o que poderá impactar diretamente na dinâmica da sucessão.
Recentemente, durante um evento do PL, foi anunciada a pré-candidatura de Douglas Ruas, atual secretário das Cidades do Rio, para concorrer ao governo nas eleições deste ano. Este movimento indica uma articulação política que poderá influenciar ainda mais o cenário eleitoral, independentemente do desfecho do julgamento no TSE.

